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Trabalhar, só depois… Augusto Chagas, novo presidente da UNE

Ed Ferreira/AE
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Chagas: “É dever do governo e das estatais financiar nossos congressos”

Raquel Salgado (Panorama/Veja)

A meta da gestão do novo presidente da União Nacional dos Estudantes, Augusto Chagas, é convencer o Congresso a aprovar um projeto de lei que transferirá milhões dos cofres federais para os da sua entidade

De que trata esse projeto?
Ele prevê que o estado indenizará a UNE por demolir nossa sede na ditadura militar. O valor pode variar de 36 a 72 milhões de reais.

O que será feito com esse dinheiro?
Queremos construir uma nova sede, projetada por Oscar Niemeyer. A obra está orçada em 35 milhões de reais. Teremos um centro cultural e uma torre comercial, que poderá ser alugada.

Então, se conseguir a indenização, a UNE não precisará mais pedir dinheiro ao governo.
Aí, não. São coisas diferentes. É dever do governo e das estatais ajudar os estudantes a financiar suas atividades.

Quais?
Nossos congressos.
Mas eles não são só uma oportunidade para que os esquerdistas arranjem namoradas?
Ah, isso não tem nada a ver.

Não é por isso que você é esquerdista?
Não, é porque só saídas coletivas vão dar uma resposta aos problemas da humanidade. O capitalismo é limitado.

Quando você entrou na faculdade?
Em 2001.

Oito anos não foram suficientes para se formar?
Na universidade, você decide quanto vai estudar em cada ano. Estou fazendo devagar.

E trabalha?
Estou dedicado só aos estudos e à militância. Trabalhar na minha área, a computação, só depois.

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O Proselitismo da UNE

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Rodrigo Constantino, para a Revista Voto

Desde sua criação na década de 1930, a União Nacional dos Estudantes tem participado de forma ativa do debate político no país, quase sempre abraçando bandeiras ditas “progressistas”. A entidade está tão impregnada de ideologia marxista, que atualmente a UNE mais parece um braço partidário do PSOL, e poderia muito bem mudar o significado de sua sigla para União Nacional dos Esquerdistas. Com a chegada ao poder do PT, a UNE deixa de lado suas duras críticas ao governo, e adota um constrangedor silêncio em relação aos escândalos de corrupção. Ela demonstra, com isso, seguir literalmente a máxima de dois pesos e duas medidas. Para os socialistas, afinal, os fins sempre justificaram quaisquer meios.

Basta lembrar o barulho ensurdecedor que os estudantes da UNE faziam no passado contra o governo, quando o PT ainda era oposição. O caso dos “caras pintadas” pedindo o impeachment do presidente Collor, mobilizados pela UNE, representa um excelente exemplo. Ou a pressão que a UNE exerceu para instalar CPIs durante o governo tucano, além da campanha “Fora FHC” disseminada pela entidade. Agora que o PT é governo, a UNE condena o desejo da oposição de instalar uma CPI para investigar os escândalos da Petrobrás. Quem te viu; quem te vê.

Como os jornais mostraram, a UNE recebeu quase um milhão de reais de órgãos públicos federais para realizar seu 51º Congresso, sendo R$ 100 mil da própria Petrobrás. O cão não morde a mão que o alimenta. E a UNE é como os cachorros raivosos alimentados pelo porco Napoleão no livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Parece um cão treinado para latir quando o governo precisa desviar a atenção de algum novo escândalo. A UNE mostra não seguir princípios e valores imparciais, mas sim interesses atrelados à sua ideologia socialista. Seria o caso de questionar: quais estudantes ela realmente representa?

Nenhuma palavra da UNE contra os infindáveis escândalos envolvendo José Sarney, que o presidente Lula agora tanto defende. Nenhuma palavra contra a nova e estranha amizade entre Collor e Lula. Onde estão aqueles jovens com caras pintadas? Trocaram a tinta pela peroba e viraram agora “caras-de-pau”? Nada da UNE sobre os escândalos envolvendo a Petrobrás, uma das principais patrocinadoras do congresso. Ao contrário: defender a CPI para investigar a corrupção na estatal passou a ser coisa de “neoliberal”. A UNE, pelo visto, não condena a corrupção do governo, se este governo for de esquerda, e de preferência liberar verbas gordas para a entidade.

Como no livro de Orwell, existe apenas um mandamento para os membros da UNE: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Os porcos ligados a Napoleão passaram a negociar com os homens de granjas vizinhas, e aprenderam a andar em duas patas. Tudo faz parte do “jogo democrático”. Até mesmo beijar a mão de um ícone da oligarquia nordestina! Agora já é impossível distinguir porco de homem. É espantosa a capacidade que os principais líderes do movimento estudantil têm para “esquecer” o passado recente. Parece até mesmo alguma patologia cognitiva. Caso contrário, teria que ser falta de caráter mesmo.

A verdade é que muitos jovens percebem desde cedo que há no Brasil um futuro promissor para “estudantes” que trocam o estudo pelos discursos sensacionalistas. Em vez de se dedicar arduamente aos estudos e depois competir no mercado por um emprego produtivo, esses jovens observam que pegar microfones durante as aulas e condenar o “sistema”, gritando bravatas e oferecendo soluções utópicas, costuma trazer recompensas melhores e mais rápidas. Como disse o economista William Easterly em O Espetáculo do Crescimento, “criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso”. A via política acaba rendendo mais que a via econômica num país como o Brasil, onde o governo concentra poder econômico demais.

A UNE virou um trampolim para jovens com ambições políticas. Por que batalhar duro para criar riqueza, quando basta colocar uma camisa vermelha e gritar chavões socialistas para expropriar riqueza alheia através do governo? É análogo ao que se passa no campo com o MST. Em vez de trabalhar pesado sob o sol nas plantações, os “camponeses” aprendem rápido que basta pegar uma foice, colocar um boné vermelho e invadir propriedades alheias, para que o governo libere verbas milionárias para o movimento “social”. Não devemos esperar que os homens produzam riqueza, quando a produção é punida com crescentes impostos e a extorsão é remunerada. Um país desses terá cada vez mais parasitas, e menos hospedeiros. Alguém ainda se espanta com tanta miséria no Brasil?

A lamentável verdade é que a UNE tem contribuído para esta situação, através da doutrinação ideológica dos alunos. Como atrativo para os jovens, a UNE oferece um privilégio: uma carteira que garante desconto em eventos “culturais” como shows de rock e jogos de futebol. Os jovens são vítimas mais fáceis para os oportunistas de plantão. Afinal, costumam ser mais românticos e sonhadores, guiados pelas emoções e o desejo de “consertar o mundo”. Talvez por isso os esquerdistas defendam o direito ao voto de um jovem de 16 anos, enquanto condenam a redução da maioridade penal. Ou seja, o jovem responsável que pode votar acaba se tornando uma criança indefesa e inimputável, vítima da “sociedade”, quando pratica algum crime. Eis a “lógica” esquerdista. Eis a mentalidade predominante na União Nacional dos Esquerdistas, quer dizer, dos Estudantes.


UNE mostra a sua cara…pintada de palhaço!

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Texto original retirado do CMI (Centro de Mídia Independente)

O LIXO DAS CRIAS DE AMAZONAS E LUIZ INÁCIO

Rafael Gomes

Entre os dias 15 e 19 de julho foi realizado o 51º Congresso da UNE no campus da Universidade de Brasília (UnB). A entidade, que nos últimos cinco anos recebeu algo próximo a 10 milhões de reais da gerência Luiz Inácio (7 milhões somente nos últimos 14 meses) [fonte: Jornal Estado de S. Paulo de 17 de julho de 2009] também contou com o patrocínio de sete ministérios, Correios, Caixa Econômica Federal e Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), totalizando mais de 900 mil de recursos (dos cofres públicos). Tudo isso para cobrir um orçamento de 2,5 milhões de reais estipulados para o Congresso.

Apesar da declaração da até então presidente da entidade, Lúcia Stumpf, que disse não serem “os recursos que mudam os posicionamentos da UNE” e que “a UNE nunca vendeu sua posição”, os temas centrais do 51º Conune foram a “defesa da Petrobras e do petróleo brasileiro” e a defesa da aplicação da “reforma universitária”. Palavras de ‘enorme impacto’ diante dos R$ 100 mil recebidos da transnacional petrolífera como “doação” ao Congresso.

A respeito da campanha em prol da “reforma universitária” do Banco Mundial, a UNE apenas foi coerente com a sua prática dos últimos anos. Desde que se converteu em agência da gerência Luiz Inácio para assuntos do imperialismo no movimento estudantil, a entidade governista vem servindo de aríete dos interesses imperialistas, minando a resistência estudantil à aplicação das medidas anti-povo nas universidades brasileiras.

Daí resta apenas o lixo

Em 1965, enfrentando as duras condições de clandestinidade e perseguições por parte dos gorilas militares, o movimento estudantil encabeçado pela UNE denunciava a desnacionalização da Universidade brasileira, as medidas dos acordos MEC-USAID ditadas pelo imperialismo ianque e a Lei Suplicy de Lacerda, que colocava na ilegalidade as organizações estudantis. A revolta fermentava em meio às massas. Durante a aula inaugural da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 9 de março daquele ano, o títere militar Marechal Castelo Branco foi recebido com uma estrondosa vaia pelos estudantes e membros do Corpo Diplomático da Universidade. Cinco estudantes foram presos pela Polícia do Exército e o fato repercutiu rapidamente. Esse exemplo de combatividade foi repetido na aula inaugural da Faculdade Nacional de Filosofia, onde todos os estudantes se retiraram ao ser anunciada a palavra do Ministro-Chefe da Casa Civil, Luis Viana Filho. Esses acontecimentos contribuíram para sacudir o movimento estudantil, provocando ações de solidariedade e a mobilização das organizações de base(1).

Passados 44 anos, no dia 16 de julho último, numa mesa pomposa repleta de engravatados que mais poderia ser o retrato de uma seção do enlameado senado, estavam presentes os herdeiros da decomposta estirpe de João Amazonas e Luiz Inácio.

O gerente de turno do velho Estado, que “nunca na história deste país” esteve presente em um Congresso da dita União Nacional (dos Estudantes?) UNE/PCdoB, foi acolhido com a devida bajulação (muito bem paga), para discursar para a multidão disforme em uma das plenárias do 51º Congresso dessa entidade. Afora o costumeiro governismo, a aprovação das medidas do Banco Mundial para a educação, ditadas pela “reforma” universitária, e o desfile encomendado pela Petrobras “em defesa do petróleo”, a UNE retocou o velho posto ocupado há décadas pelo Pecedobê em sua presidência deixando um rastro de destruição, sujeira e desordem nas escolas cedidas para o alojamento dos participantes do evento.

Prática degenerada

No dia 22 de julho, terminada a farra da UNE, restou o rastro de destruição resultante da aplicação de sua linha política oportunista e degenerada.

As escolas públicas emprestadas para servirem como alojamentos dos participantes do Congresso (emprestadas a contragosto, após pedido oficial da Presidência da República) foram entregues tomadas pelo lixo. As diretorias das escolas protestaram indignadas ao encontrar garrafas de bebidas alcoólicas, vestígios de drogas e preservativos. Segundo a Secretaria de Educação de Brasília, uma das escolas teve a horta destruída, pois os participantes do congresso teriam tomado banho e defecado no local.

Terminado o Conune, nenhum dos alojamentos foi limpo ou organizado, e a direção da UNE se apressou para transferir a responsabilidade: “Trata-se de um comportamento isolado de alguns participantes que a entidade lamenta e condena. Porém, não é possível se responsabilizar por atitudes individuais”, declarou Augusto Chagas, presidente recém-eleito da entidade.

No entanto, os relatos das diretoras das escolas demonstram que não foram “atitudes individuais” como afirmou Chagas.

“A gente viu uns jovens tomando banho na horta das crianças e eles ainda fizeram as necessidades em cima das plantações” lamentou a diretora do Centro de Ensino Fundamental 01, do Lago Norte, Claudia Regina Justino Fernandes que prosseguiu:

“Esperávamos 400 alunos e vieram mais de 600. Muitos tomaram banhos nus no pátio da escola e constrangeram os funcionários e vizinhos. Além disso, nunca vi tanta sujeira. E a escola estava pronta para a volta às aulas.” lamenta. [fonte: Correio Brasiliense]

“Existiu uma contradição entre o discurso e a prática a que a instituição se propõe” desabafa a secretária adjunta de Educação, Eunice Santos. [fonte: O Globo, 22/07/2009].

QUEM É AUGUSTO CHAGAS?

O recém-eleito presidente da UNE foi anunciado como ‘um importante dirigente estudantil’, ‘ativo nas mobilizações’, ex-presidente da UEE de São Paulo. Apurando os fatos das últimas lutas estudantis na UNESP, UNICAMP, a greve e ocupação da USP em 2007 e a greve geral ocorrida recentemente na mesma universidade, não encontramos sequer o rastro da passagem da UEE, da UNE ou de Augusto Chagas, a não ser em notas de repúdio contra sua prática oportunista e conciliadora. Mas encontramos o depoimento de um ex-colega de Augusto Chagas na página da internet “O biscoito fino e a massa”, que pode dizer mais que qualquer outra fonte.

“Esse Augusto Chagas, novo presidente da UNE, estudava na mesma faculdade que eu na minha época (UNESP de Bauru-SP). Apesar de eu estar sempre participando das movimentações dos Diretórios e Centros Acadêmicos, eu NUNCA vi a cara desse rapaz”.

É mais do que sabido dentro do Movimento Estudantil brasileiro que as correntes ligadas ao PCdoB e PT jamais, repito, jamais, se envolveram com as recentes lutas travadas contra os ataques à educação superior pública desse país. Para alguns exemplos, cito a Ocupação da Reitoria da USP de 2007, as ocupações de reitorias das federais contra o REUNI e a última greve da USP. Se ausentaram e se ausentam, pois só se preocupam em ocupar os espaços da via institucional (como a UNE, por exemplo). Seguem cegamente as diretrizes estabelecidas por seus partidos, no intuito de sustentar o plano de governabilidade de Lula, mesmo que isso signifique estar em conflito com os reais interesses dos estudantes os quais dizem representar”.

João Ricardo da Silva, 22 de julho de 2009.

A UNE FOI ASSIM

Depoimento de José Sales Pimenta, membro da 2ª diretoria da UNE após a sua reconstrução (período 1979/80/81)

Naquele momento, quando lutávamos pela retomada da UNE, o ambiente era outro, as pessoas se mobilizavam, havia uma vibração da direção do movimento que contagiava as pessoas. A mobilização da juventude era uma coisa sincera, radical e decidida contra qualquer acordo lesivo e contra toda ingerência do imperialismo na Universidade brasileira, por isso a UNE se notabilizou nessas lutas.

Na época da retomada, quem puxava as coisas era o pessoal que lutava contra a ditadura. Teve uma greve na USP (veja só, sempre a USP vanguardeando os movimentos de massas estudantis), e surgiram movimentos de solidariedade em Minas, no Rio, na Bahia e outros estados. Era um movimento essencialmente pela derrubada do gerenciamento militar, um movimento pelo fim dos acordos MEC-USAID e da lei Suplicy, contra as diretrizes do decreto 477. O movimento se levantou com um espírito claramente de revolta, de rebeldia. Esse era o movimento estudantil que tornou a UNE famosa.

Éramos os continuadores da UNE que lutou na clandestinidade nos anos 60, combateu na ilegalidade, combateu nas ruas, os 2 últimos presidentes, todos conhecem: o Honestino Guimarães e a Helenira Rezende, que tombaram na luta armada revolucionária, por um projeto de transformação revolucionária da sociedade.

Isso era a UNE, uma UNE anti-imperialista, que defendia os revolucionários brasileiros, que defendia a Universidade nacional e a soberania nacional da forma mais avançada, lutando ombro a ombro com os trabalhadores do campo e cidade.

As lideranças da UNE eram os mais destacados do combate aos militares nas faculdades.

Comparar essa história com isso de hoje é um absurdo. O oportunismo tomou tal proporção nesses partidos legais que vários deles, que na época da ditadura ainda lutavam por uma transformação da sociedade brasileira, abandonaram completamente e não possuem mais nenhum elo com aquelas organizações do passado. Com o desmantelamento das direções desses partidos, o oportunismo tomou o controle. O PT já surgiu com posições conciliadoras, pelegas, reformistas e com um projeto eleitoreiro, apenas o discurso inicial era radical e até isso foi abandonado, e a degeneração do PCdoB é uma coisa tão absurda… Utilizaram toda essa história da UNE para usar a entidade para se cacifar politicamente, para meter as mãos nas verbas do governo e renegar todo o passado de luta da juventude revolucionária do nosso país.

Hoje eles conseguiram levar a UNE à situação mais baixa, mais servil ao imperialismo de todos os tempos. Essas pessoas não têm o direito de falar no nome das grandes lideranças históricas e revolucionárias da UNE. Nunca vi uma corja tão oportunista, governista, gananciosa, inescrupulosa, que usa a imagem da rebeldia da juventude para conseguir cargos e dinheiro.

NOTAS
1. Dados extraídos de O Poder Jovem, Artur José Poerner, editora Civilização Brasileira
Fonte: A nova democracia


Projeto do Senado proíbe meia-entrada nos finais de semana e feriados

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Um projeto em discussão no Senado Federal pode alterar a forma como a carteirinha de estudante é utilizada atualmente para a compra de ingressos pela metade do preço. A proposta também vale para o benefício concedido às pessoas com mais de 60 anos de idade.

Entre outras coisas, o texto estabelece que a meia-entrada não valerá nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou nacionais. Para todos os outros eventos, como peças teatrais e shows, a meia-entrada não valerá de quinta-feira a sábado, se o projeto for aprovado.

O projeto também tenta coibir a emissão de carteiras de estudante falsificadas, criando um documento único, padronizado, de validade nacional: a Carteira de Identificação Estudantil. Cria ainda um Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil.

A proposta está pronta para ser votada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), mas a data da votação ainda não foi definida. Se passar pelo Senado, ainda será analisada pela Câmara dos Deputados.

No Senado, antes de chegar à Comissão de Educação, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com alterações ao texto original. Na Comissão de Educação sofreu mais mudanças, após a realização de várias audiências públicas com representantes dos estudantes e dos produtores culturais.

A relatora do projeto na Comissão de Educação é a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que apresentou um substitutivo à matéria original, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). “Chegou-se a um acordo com a UNE, Ubes, representantes da área de cinema, teatro, e eu acatei esse acordo”, justifica a senadora Marisa, que incluiu a limitação dos dias em que a meia-entrada estará em vigor.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) é favorável ao documento único de identificação, mas é contra as restrições ao uso da carteirinha, como explica Lúcia Stumpf, presidente da entidade. “Esses pontos vão enfrentar a resistência da UNE, que é a favor do direito amplo e irrestrito conquistado pelos estudantes. Os senadores resolveram encaminhar dessa forma, mas vamos lutar para mudar isso.”

O representante dos produtores de eventos defende a medida. Para Ricardo Chantilly, diretor da Abeart (Associação Brasileira de Empresários Artísticos), se aprovado, o projeto terá como resultado uma queda nos preços dos ingressos. “No dia de maior fluxo de pessoas e que o faturamento é maior, deixa o produtor cobrar o preço normal. Aí, não tem meia nem inteira”, diz. “O que vai acontecer é que, no sábado, o preço de um show pode ser R$ 45, e no domingo, o estudante paga R$ 22,50. É melhor do que o que acontece hoje, quando a gente tem que colocar o ingresso a R$ 80 com meia a R$ 40”, exemplifica.

Para ele, com a disseminação das carteirinhas falsificadas, os produtores foram levados a cobrar um preço maior, para evitar prejuízos. Assim, o diretor da Abeart também defende um limite na quantidade de ingressos destinados aos estudantes e idosos, como já ocorre em alguns lugares, como São Paulo – a meia-entrada é regulamentada por leis estaduais e municipais.

“A média hoje é de 70%, 80%, até 90% de meia-entrada nos eventos. Eu defendo uma limitação da venda de meia-entrada a 30% do total. Assim, a gente saberia que, em um evento para mil pessoas, teria 700 pagando inteira e 300 pagando meia. Seria possível uma redução de, no mínimo, 30% nos preços, porque conseguiríamos o mesmo faturamento de agora, com um ingresso mais barato”, argumenta.

O que garantiria a queda nos preços? Segundo Chantilly, o mercado. “Se eu fizer um show do Nelson Ned e colocar a R$ 80, não vai ninguém. Se eu colocar um show da Ivete Sangalo a R$ 300, também não vai ninguém. Uma vez por ano tem uma Madonna, que pode cobrar R$ 500, R$ 800, que lota um Maracanã. Mas quem regula os preços é o bom e velho mercado”, afirma.

Autor do projeto original, o senador Azeredo também diz que a expectativa é que os preços caiam. “O que se espera é que haja uma redução do preço dos ingressos; essa é informação dos produtores”, afirma. Sobre a limitação dos dias de validade da meia-entrada, ele tem posição contrária. “O ideal era que pudesse valer para todos os dias, mas esse foi o acordo. O mais importante, sem dúvida, vai ser a padronização da carteira em todo o Brasil”, destaca.

Emissão das carteirinhas de estudante
O projeto em análise no Senado também revoga a Medida Provisória 2.208, editada em 2001, que acabou com a exclusividade das entidades estudantis na emissão da identidade estudantil. O relatório da senadora Marisa Serrano afirma que a medida “provocou descontrole na concessão desses documentos” e levou “na prática, à perda do benefício do pagamento de meia-entrada por parte dos estudantes e idosos.”

 presidente da UNE diz que a padronização do documento não resultará em aumento do preço de emissão. “Não deve aumentar exatamente porque não vai mais ser regido pela disputa de mercado”, diz Lúcia Stumpf. “Hoje, existem até cursinhos de línguas e pré-vestibulares fantasmas, criados só para emitir a carteira”, critica.

A UNE cobra preços diferenciados para emissão da identidade estudantil nas diferentes regiões do país. Em São Paulo, o preço é R$ 25, no Centro-Oeste, R$ 15, e nas regiões Norte e Nordeste, a taxa varia de R$ 8 a R$ 10, segundo a presidente da entidade.

Lúcia Stumpf é contrária ao sistema de cotas para a venda de meia-entrada por achar impossível a fiscalização. “Nem mesmo os produtores apresentaram uma alternativa eficiente para controlar a venda dos ingressos para estudantes. Sem isso, podem vender apenas os cinco primeiros e dizer que já venderam toda a cota”, afirma.

Além de defender a limitação à meia-entrada, os produtores também cobram uma compensação do governo pelo benefício concedido. “Os taxistas compram carro 30% mais barato, mas não são as empresas que arcam com isso, o desconto vem dos impostos. Nos ônibus, os idosos têm passe livre, mas as empresas recebem por isso. A gente não é o ‘lobo mau’ da história, o governo é que não deu a contrapartida necessária”, ressalta.

O ressarcimento está previsto na análise da relatora, e seria feito com recursos do Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), da Lei Rouanet.

Pelo projeto do Senado, o direito à meia-entrada fica assegurado aos estudantes e às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, em cinemas, cineclubes, teatros, espetáculos musicais, circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares.

O benefício não é cumulativo com quaisquer outras promoções e convênios e também não se aplica ao valor dos serviços adicionais eventualmente oferecidos em camarotes, áreas e cadeiras especiais.