Arquivo da tag: Jornalismo

Programação de eventos para a exposição “90 em Folha – Imagens do Brasil moderno”

SÁBADO, 11 de junho Workshop de videojornalismo com João Wainer
QUARTA, 15 de junho Palestra sobre jornalismo opinativo (Marcelo Leite, editor de Opinião)
QUINTA, 16 de junho Sessão de cinema com Ricardo Calil
SÁBADO, 18 de junho “Como Fazer Jornal” – Folhinha
QUARTA, 22 de junho Palestra sobre editoria de Foto da Folha
SÁBADO, 25 de junho Workshop de infografia com Mario Kanno
QUARTA, 29 de junho Palestra sobre editoria de Arte, com Mario Kanno
QUINTA, 30 de junho Sessão de cinema com Alexandre Agabiti Fernandez (“O Sétimo Selo”)
SÁBADO, 2 de julho Workshop de Ilustração com João Montanaro
QUARTA, 6 de julho Debate WikiLeaks e diplomacia (mediação de Fernando Rodrigues)
QUINTA, 7 de julho Sessão de cinema com Inácio Araujo
QUINTA, 14 de julho Sessão de cinema com Ricardo Calil
SÁBADO, 16 de julho Workshop 2 de fotografia
QUARTA, 20 de julho Palestra sobre o trabalho da Ombudsman, com Suzana Singer
SÁBADO, 23 de julho Workshop 2 de videojornalismo
TERÇA, 26 de julho Sessão de cinema com Alexandre Agabiti Fernandez (“As Bicicletas de Belleville”)
QUARTA, 27 de julho Palestra sobre jornalismo on-line (Ricardo Melo)
QUINTA, 28 de julho Sessão de cinema com Ricardo Calil (“Festa de Família”)
SÁBADO, 30 de julho Workshop 2 “Como Fazer Jornal” para público da Folhinha
QUARTA, 3 de agosto Palestra sobre o trabalho de enviado especial (Clóvis Rossi)
QUINTA, 4 de agosto
Sessão de cinema com Inácio Araujo (“Vestida para Matar”)
SÁBADO, 6 de agosto
Workshop 2 de infografia
QUARTA, 10 de agosto Debate sobre jornalismo cultural
SÁBADO, 13 de agosto Workshop “Entrevistando” para público infantil
OBS:

Às quartas, os eventos começam às 20h.
Às quintas, 19h.
Aos sábados, os workshops começam às 15h. As turmas são de no máximo 20 pessoas.
Às terças, também às 20h.

Inscrição para os eventos pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br ou pelo telefone (11) 3224-3473, das 14 às 19h.
Para as quintas-feiras, basta retirar o ingresso no próprio MIS um pouco antes do evento.


Os perigos de ser jornalista no Irã


Dezenas de jornalistas iranianos estão apodrecendo na prisão, enquanto muitos outros fugiram do país. O regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad tem perseguido agressivamente os críticos e cada vez mais jornalistas estrangeiros também estão sendo presos

Mohammad Ghouchani, 34, ainda é um homem livre. Mas talvez não o seja por muito tempo. As forças de segurança do regime iraniano vêm seguindo cada movimento do jornalista há semanas. De acordo com colegas de Ghouchani em Teerã, há apenas uma semana os agentes iranianos ligaram para ele. O que disseram? Que largasse o projeto ou o prenderiam.

Não será uma surpresa se Ghouchani receber uma intimação da promotoria e for forçado a responder acusações diante da Corte Revolucionária Islâmica. Seu futuro também pode envolver tempo de prisão –tudo porque ele assumiu uma missão tentadora e delicada: voltar a publicar o Ham-Mihan, um jornal que foi proibido há três anos.
Fundado em 2000, o diário Ham-Mihan, ou “Compatriota”, estabeleceu-se como uma voz reformista sob o ex-presidente comparativamente liberal Mohammad Khatami e atingiu uma circulação de mais de 100.000 exemplares. Agora, as autoridades renovaram a licença do antigo editor, Gholamhossein Karbaschi, que foi prefeito de Teerã por muitos anos e é aliado de Khatami.

Em um apartamento espaçoso no norte afluente da capital, uma equipe de 30 editores, artistas de paginação e técnicos estão trabalhando com Ghouchani para produzir a primeira edição do jornal, com a tiragem inicial de aproximadamente 25.000. Apesar de a constituição iraniana garantir a liberdade de imprensa, as autoridades do Ministério de Justiça e do Conselho Supervisor da Imprensa estão apenas esperando aparecer a primeira história crítica sobre o presidente Mahmoud Ahmadinejad e seu mentor, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Muito boa companhia
De fato, há poucas dúvidas que as autoridades vão fechar o Ham-Mihan novamente e prender o editor-chefe Ghouchani, que já passou quatro anos e meio atrás das grades. Na prisão, ele se viu em boa companhia.
Desde os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad, em junho do ano passado, as celas da prisão estão cheias de críticos do regime –e os jornalistas representam o maior grupo profissional entre os presos. Mais de 120 funcionários de jornais e cerca de 20 blogueiros foram presos, diz Mahmood Amiry-Moghaddam. De sua casa no exílio, o co-fundador do grupo Direitos Humanos do Irã vem monitorando “a brutal opressão da liberdade de expressão”. Ao menos 50 repórteres e fotógrafos fugiram para o exterior para escapar dos agentes do regime, diz ele.

Ninguém sabe exatamente quantos jornalistas estão atrás das grades. Amiry-Mogahaddam sai recitando 30 nomes, inclusive de Emadeddin Baghi, que foi condenado a seis anos na prisão pela Corte Revolucionária. Seu crime: uma entrevista com o Grande Aiatolá Hossein-Ali Montazeri, que morreu em dezembro do ano passado e estava entre os mais ativos críticos do regime. Parece uma triste ironia da história que a República Islâmica que emergiu da revolução contra a ditadura do xá em 1979 esteja atualmente perseguindo jornalistas mais severamente do que qualquer outro país no mundo.

Jornalistas estrangeiros, particularmente os que receberam suas licenças em épocas menos restritivas, também se tornaram alvos dos aliados de Ahmadinejad nas agências de inteligência e na Pasdaran –a Guarda Revolucionária Islâmica. A correspondente do jornal espanhol “El País”, por exemplo, foi forçada a fazer as malas –ela provocou a ira do regime entrevistando o filho de Montazeri. Só têm permissão para ficar os que se restringem a reportagens inofensivas.

Vistos para assistir propaganda
De fato, devido à sensibilidade de Teerã com reportagens críticas ao programa nuclear do país e seu enriquecimento de urânio, os jornalistas do Ocidente agora só têm permissão para entrar no país para participar de eventos de propaganda –e até os vistos de jornalista se tornaram uma raridade. A embaixada iraniana em Berlim conferiu apenas três permissões de entrada para uma conferência bombasticamente encenada nesta primavera com o tema “Energia Nuclear para Todos –Armas Nucleares para Nenhum”. O Spiegel só conseguiu entrevistar líderes da oposição e críticos do regime depois de longas preparações e sob segredo estrito.

Entrar no país sem permissão do Ershad, o Ministério de Cultura e Guia Islâmico, é uma aventura tola. Os vários braços das agências de inteligência dos mulás mantêm o país sob um controle ainda mais rígido do que nos tempos de Mohammad Reza Pahlavi, o último xá do Irã. Mas isso não impediu que dois homens que trabalhavam para a editora alemã Axel-Springer tentassem sua sorte na semana passada. Eles não conheciam as regras? “Se não conheciam, eles foram ingênuos e se permitiram entrar por um caminho perigoso”, advertiu até o jornal circunspecto alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

De fato, os dois aparentemente não estavam habituados à região. O repórter escrevia para o jornal de grande circulação Bild, e mais recentemente para o Bild am Sonntag, com foco em histórias locais de Berlim e em escândalos em hospitais. O fotógrafo free-lance fazia fotos de músicos e celebridades.

Os dois alemães foram presos na semana passada em Tabriz, capital da província do Azerbaidjão do Oeste, 500 km a noroeste de Teerã, enquanto se preparavam para entrevistar Sajjad Ghaderzadeh, 22. O jovem é odiado por defensores locais do regime porque ele ajudou a promover uma campanha internacional de direitos humanos para ajudar a proteger sua mãe, Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43, que foi condenada à morte por apedrejamento em 2006 por adultério. As forças de segurança também detiveram Ghaderzadeh e o advogado da mãe dele, em cujo escritório a reunião ocorreu.

Um prelúdio à espionagem?
O destino dos alemães depende primariamente de qual facção prevalecerá em Teerã. O embaixador do Irã em Berlim, Ali Reza Sheikh Attar, parece ser um aliado próximo de Ahmadinejad, mas também um pragmático. Aparentemente, está muito interessado em uma solução rápida. O fato de Attar, que também foi jornalista, ter sido governador na região e ainda manter contatos próximos em Tabriz pode ajudar os jornalistas a se livrarem da situação. O embaixador alemão em Teerã, Bernd Erbel, também é bem conectado no país.

Ainda assim, a influência dos radicais não é subestimada. Eles não vêem os repórteres como jornalistas desavisados, buscando um furo de reportagem. Pouco após sua prisão, o promotor-geral iraniano, Gholam Hossein Mohseini-Ejei, expressou dúvidas se os alemães eram de fato jornalistas –talvez um prelúdio a acusações de espionagem.

A jornalista americano-iraniana Roxana Saberi, 33, experimentou em primeira mão como os radicais passam logo para acusações desse tipo. Saberi tinha trabalhado em Teerã como correspondente por seis anos, inclusive para a BBC britânica e a National Public Radio americana. Ela foi presa em abril do ano passado após ser acusada de comprar uma garrafa de vinho, apesar da proibição do álcool. Depois, ela foi acusada de trabalhar sem uma licença válida. Finalmente, o promotor estadual acrescentou acusações de espionagem.

Observadores diplomáticos em Teerã viram isso como uma tentativa de sabotar as relações melhoradas com os EUA e o presidente relativamente novo Barack Obama. Pouco depois de ela ter sido condenada a oito anos na prisão, Saberi teve permissão de deixar o país. Teerã cobrou a conta, dizendo que sua libertação foi um gesto generoso para Washington.

Por isso, as autoridades em Berlim que têm familiaridade com trocas de reféns e de prisioneiros logo se prepararam para negociações prolongadas no atual caso dos dois jornalistas alemães. “É uma questão de preço político”, diz um especialista que conhece o caso- e lembra de Donald Klein. O pescador de alto mar de Lambsheim, no sudeste alemão, vagou para águas iranianas quando estava de férias em Dubai no final de 2005. Ele ficou mais de um ano preso em Evin sob suspeita de espionagem. Na época, o agente da inteligência iraniana Kazem Darabi estava cumprindo sentença na Alemanha por seu papel no assassinato de quatro figuras da oposição iraniana em um restaurante em Berlim em 1992.

“Jornalismo é arriscado”
Darabi, desde então, foi solto e portanto Teerã não pode mais especular sobre troca de prisioneiros. O fato do governo alemão recentemente ter tido um papel proeminente em orquestrar as sanções europeias contra o Estado islâmico não exatamente tornou as negociações mais fáceis.

Ainda assim, algumas pessoas na Alemanha estão nutrindo um otimismo cauteloso que a libertação dos jornalistas possa ser conseguida em breve. De fato, um grupo de parlamentares chegou a Teerã no domingo (17/10) para uma visita há muito programada. O grupo, que inclui a presidente do partido Verde Claudia Roth, pretende falar em nome dos presos alemães durante suas conversas com os iranianos.

Os repórteres alemães parecem ter admitido a violação dos regulamentos de visto iranianos. Este pode ser o primeiro passo para a solução. Já há indicações do Irã que os alemães podem ser soltos após pagarem uma multa.

Se os jornalistas voltarem para casa no final desta semana, será um pouso extraordinariamente tranquilo para o final de uma viagem bizarra em busca de fatos.

Mesmo com um final feliz, porém, o caso confirmaria o que o editor chefe do Ham-Mihan tem a dizer. Ele adverte aos colegas explicitamente dos perigos da profissão. “O jornalismo no Irã é arriscado”, diz Ghouchani.

Der Spiegel
Dieter Berdnarz, Markus brauck e Antje Windmann
Tradução: Deborah Weinberg


Blog-se!

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Esse post é dedicado a todos os estudantes de jornalismo que não entendem o verdadeiro propósito do blog, na visão mercadológica do jornalismo.

A saber, o blog é uma das ferramentas da web que revolucionou os meios de comunicação, permitindo que diversas pessoas tenham voz para o mundo.

Enquanto as revistas, jornais, televisão, rádio, entre outros meios apenas emitiam informações, o receptor ficava ali, escutando e murmurando consigo mesmo as falcatruas e maracutaias realizadas nos meios estatais, limitado a fazer uma ligação ao veículo, pedindo por um impeachment. Com o blog, essa “prisão” da voz do povo se esvaiu. Agora todos podem emitir suas opiniões e fazerem suas críticas, e muito mais.

Atualmente o blog vem sendo usado de diversas maneiras, seja por uma empresa, para apresentar seus produtos ou conversar com seus consumidores, ou por um profissional, ou estudante, que queira fazer seu marketing, apresentando seu profissionalismo e suas competências.

O blog, mais do que uma ferramenta livre da web, é um instrumento de suma importância para comunicar informações valiosas. O que o usuário considera uma informação de valor? Bem, isso cabe a cada um fazer uso da forma mais inteligente e criativa possível do blog.

Para todos meus páreas de profissão e academia, encorajo a começar um blog e investir tempo nele. Investir dinheiro em um negócio cujo retorno é incerto, é difícil, mas investir tempo em algo altamente gratuito, e simples, cuja ferramenta você pode usar como um expositor de sua criatividade e profissionalismo, serei sincero, é um grande investimento.

Já ouvi muitas respostas como “não gosto”, “não tenho tempo” etc, mas o estudante que faz jornalismo por paixão, esse sim conseguirá tempo para postar, nem que seja uma foto interessante ou um artigo de algum renomado escritor, jornalista, entre outros (logicamente com os créditos do próprio autor). Assim, o blog nunca ficará desatualizado. Mas não é bom tornar isso um hábito. Crie seus próprios artigos. Fazer críticas pertinentes e oferecer ao leitor informações que acrescentem, em muitos casos são elogiados por eles.

Por isso, batendo na mesma tecla, seja criativo. Tente sentir o mercado da comunicação. Leia muitos livros, muita notícia; assista a noticiários e não fique somente andando no “caminho das índias”; busque assistir bons filmes que tragam conhecimento. Extraia o máximo de informação e conhecimento de tudo o que você ler, assistir, ver, escutar, tudo isso poderá ser ponto de partida para inserir um bom artigo no blog.

A ferramenta do jornalista é a leitura e a escrita. Mais a escrita. Se este “profissional” se diz o tal, mas tem uma porcaria de texto, sinto muito, “no donut for you” (sem chance). Mas, se os textos são bons, compreensíveis, coerentes, não haverá críticas técnicas, mas críticas relacionadas ao assunto. O que no caso de uma péssima escrita, o leitor vai bater o olho -, assim como eu faço, – e vai procurar ler algo em português.

Estudantes de jornalismo, Fiquem de olho. Essa é a hora de investir.

O blog é o princípio do seu ofício.

Márcio Ikuno

http://www.mybloggerpress.wordpress.com


“Acabaram com o diploma… Mas e daí? ”

A decisão anunciada pelo STF, no último dia 17, pegou de surpresa a categoria de jornalistas diplomados, causando, a princípio, uma apatia geral.

Vi jornalistas antigos e experientes indagando: “E agora, anularam minha vida!”. Vi jovens universitários e formandos se perguntando: “Por que passei todos esses anos estudando para obter um diploma e agora ele não serve para nada?”.

O fim da exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista fez gerações de profissionais irem dormir e acordarem no dia seguinte sem respostas enquanto seguiam para mais um dia de trabalho.

Eu tenho 11 anos de profissão e imagine se a partir de agora me perguntarem “o que você faz?”. Respondo: “Sou jornalista”. E a segunda pergunta vem automática: “com diploma ou sem diploma??”.

E que venham as piadas… Teoricamente, qualquer um agora é jornalista, segundo entendimento do STF, até que provem o contrário…

Piada mesmo, quem não achou foram aqueles pais que dão um duro danado para pagar a faculdade particular de seus filhos, aqueles jovens que precisam trabalhar para terminarem um curso superior que agora não vale nada, e aqueles já não tão jovens, que achavam que ter um diploma em pleno século XXI lhes daria melhores oportunidades no mercado de trabalho.

Então depois de muito pensar… Cheguei à seguinte conclusão: Acabaram com o diploma… Mas e daí?

Então, disse aos meus experientes colegas, que depois de tantos anos de profissão, com tantos conhecimentos teóricos, práticos e técnicos, curso de especialização, cursos de aperfeiçoamento, não tem porque achar que anularam minha vida. Pelo contrário, o mercado de trabalho que já estava difícil vai ficar ainda pior com tantos novos jornalistas “sem diploma”. Mas não para nós, que conquistamos, com mérito, nosso espaço.

O argumento de nossos ministros é que todos têm direito ao exercício pleno das liberdades de expressão e informação.

Acontece que nós, da categoria dos jornalistas “com diploma”, não passamos quatro anos e meio na faculdade apenas divagando sobre assuntos e expressando nossos ideais. Para isso, tem outras faculdades mais afins. Creio que exercer o jornalismo vai bem além de exercer a liberdade de expressão.

A minha faculdade e meus estágios, pelos quais os “novos jornalistas” infelizmente não terão a oportunidade de passar, me ensinaram coisas fundamentais, como ética profissional, deontologia jornalística (série de obrigações e deveres que regem a profissão), diferença de linguagem de cada veículo de comunicação, imparcialidade, ouvir os dois lados dos fatos, além de conhecimentos técnicos e em outras áreas, como Economia e Direito.

Agora, não só ministros do STF, Presidente da República, como biólogos, matemáticos, terapeutas, psicólogos, enfermeiros, copeiros e diaristas, podem passar a escrever matérias para jornais, revistas, websites, programas de TV e de rádio.

O presidente do STF, Gilmar Mendes, comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro, o que embora não seja desmerecedor, foi muito infeliz devido à tamanha falta de afinidade entre as duas profissões. Temos bons chefes de cozinha no Brasil, assim como temos bons profissionais em todas as áreas acima citadas.

Mas a conduta profissional do cozinheiro não está associada à boa redação, imparcialidade, veracidade dos fatos, ética, defesa dos direitos do cidadão e dos princípios constitucionais, já a do jornalista, sim. E essa conduta faz parte dos códigos e leis que regem a profissão, aprendidos nas salas de aula das faculdades.

Portanto, cada um no seu quadrado.

Nádia Faggiani – Jornalista e Especialista em Marketing pela FGV


O fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo

diploma

* Tomás Barreiros

O destino de dezenas de milhares de brasileiros portadores de diploma superior de Jornalismo foi afetado hoje por um julgamento levado a cabo por magistrados que demonstraram não saber o que estavam julgando.

Julgava-se a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Mas todas as falas dos magistrados indicavam que eles estavam analisando outra coisa. Eles falavam do direito à livre expressão do pensamento. Outra coisa, completamente diferente.

O pior de tudo é que eles pareciam nem ter se dado conta dessa diferença. Tal cegueira seria mesmo fruto de uma enorme ignorância a respeito do que julgavam ou haveria outra coisa nos bastidores? Talvez não seja de duvidar essa hipótese, dado, por um lado, o enorme poder político e econômico dos interessados no fim do diploma e, de outro, a tradição de pouca confiabilidade de nosso sistema judiciário.

Será que os juízes do STF acreditam mesmo que os proprietários de veículos de comunicação que defendiam o fim do diploma estavam interessados em defender a liberdade de expressão, como raposas que defendem a abertura das portas do galinheiro para o bem da liberdade das galinhas?

A exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista tem tanto a ver com o direito à livre expressão do pensamento quanto a exigência de Carteira Nacional de habilitação com o direito constitucional de ir e vir.

Pela lógica dos juízes do Supremo, qualquer cidadão poderia dirigir – caso contrário, estaria tolhido na sua liberdade de ir e vir. Pela mesma lógica, os cidadãos poderão prescindir do trabalho dos advogados, em qualquer circunstância, em nome do direito constitucional à ampla defesa.

Como se vê, parecem absurdos – assim como é absurdo relacionar a exigência do diploma com a limitação à livre expressão do pensamento.

Os distintos senhores magistrados do STF têm uma ideia completamente romântica e ultrapassada do jornalismo, como se estivessem parados no século 19 ou início do século 20. Acham que ser jornalista e trabalhar num veículo de comunicação significa expressar livremente o pensamento. Ou seja, eles não têm qualquer noção do que é o trabalho do jornalista. Acham que o jornalista tem como função manifestar seu pensamento – o que todos nós, jornalistas, sabemos que não pode ser feito pelo jornalista, a não ser em casos excepcionais ou muito específicos, como na redação de artigos e crônicas, gêneros, aliás, abertos a qualquer pessoa, com ou sem diploma.

O fim do diploma tem vários subsignificados muito tristes. Como a demonstração do total despreparo dos juízes do STF para julgar uma matéria sem conhecimento mínimo do que estão tratando. A incapacidade da classe dos jornalistas de se articular com força contra os capitalistas da mídia. A facilidade imensa que têm o poder do capital contra a fraqueza dos trabalhadores nas instâncias de poder.

Esperemos agora as consequências do fato. A desvalorização da profissão. O achatamento dos salários. A ideologização cada vez maior das redações. O povoamento das redações com estagiários de vários cursos e com apaniguados do dono do negócio. Funcionários cada vez mais submissos aos condicionamentos do patrão. Enfim, tudo com que sempre sonharam muitos dos donos da mídia.

E os senhores magistrados dormirão tranquilamente, embalados por sua ignorância – que lhes garante estar convencidos de que não fizeram nada de errado.

* Jornalista profissional diplomado e professor universitário


Diploma de jornalismo…eis a questão!

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MEC cria comissão para rever diretrizes do curso de Jornalismo

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(Imprensa) O Ministério da Educação (MEC) criou uma comissão para avaliar as diretrizes da graduação em Jornalismo nas universidades brasileiras. O grupo será presidido pelo professor José Marques de Melo, fundador da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e colunista da revista Imprensa.

Segundo informou a Agência Brasil, a comissão terá início na próxima quinta-feira (19) e os trabalhos durarão 180 dias.

O objetivo da comissão será avaliar e rever o conteúdo pedagógico das grades de comunicação social. O ministro da educação, Fernando Haddad, chegou a levantar a possibilidade de criar um curso de especialização em Jornalismo, para que profissionais de outras áreas possam exercer a profissão.