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Após demitir 40 jornalistas, Folha publica matérias de freelancers

Com 10% menos de funcionários em sua equipe, a Folha de São Paulo e a Folha.com têm veiculado desde segunda-feira (14) grande volume de matérias assinadas por freelancers.

No momento em que este texto era fechado, a Folha.com, por exemplo, contava com aproximadamente 23 matérias assinadas por escritores autônomos, sendo uma do dia 14 e outra do dia 15; 11 textos no dia 16 e dez nesta quinta-feira (17). Entre o dia 1° e o dia 13 de novembro, não havia nenhuma matéria assinada por colaboradores publicada no site.

Leia também: Passaralho: Folha de São Paulo demite cerca de 40 jornalistas

A maioria dos conteúdos se concentrava nas editorias de ‘Cotidiano’ e ‘Ilustrada’, as mais atingidas pelas dispensas da última sexta-feira (11).

Prêmio Esso
Em meio às demissões, três jornalistas da sucursal da Folha de São Paulo em Brasília – Andreza Matais, José Ernesto Credendio e Catia Seabra – permaneceram na empresa e foram premiados com o “Prêmio Esso de Jornalismo 2011” pela produção da reportagem “O patrimônio e as consultorias que derrubaram Pallocci”, publicada pelo jornal.

Silvana Chaves
(via comunique-se)

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Programação de eventos para a exposição “90 em Folha – Imagens do Brasil moderno”

SÁBADO, 11 de junho Workshop de videojornalismo com João Wainer
QUARTA, 15 de junho Palestra sobre jornalismo opinativo (Marcelo Leite, editor de Opinião)
QUINTA, 16 de junho Sessão de cinema com Ricardo Calil
SÁBADO, 18 de junho “Como Fazer Jornal” – Folhinha
QUARTA, 22 de junho Palestra sobre editoria de Foto da Folha
SÁBADO, 25 de junho Workshop de infografia com Mario Kanno
QUARTA, 29 de junho Palestra sobre editoria de Arte, com Mario Kanno
QUINTA, 30 de junho Sessão de cinema com Alexandre Agabiti Fernandez (“O Sétimo Selo”)
SÁBADO, 2 de julho Workshop de Ilustração com João Montanaro
QUARTA, 6 de julho Debate WikiLeaks e diplomacia (mediação de Fernando Rodrigues)
QUINTA, 7 de julho Sessão de cinema com Inácio Araujo
QUINTA, 14 de julho Sessão de cinema com Ricardo Calil
SÁBADO, 16 de julho Workshop 2 de fotografia
QUARTA, 20 de julho Palestra sobre o trabalho da Ombudsman, com Suzana Singer
SÁBADO, 23 de julho Workshop 2 de videojornalismo
TERÇA, 26 de julho Sessão de cinema com Alexandre Agabiti Fernandez (“As Bicicletas de Belleville”)
QUARTA, 27 de julho Palestra sobre jornalismo on-line (Ricardo Melo)
QUINTA, 28 de julho Sessão de cinema com Ricardo Calil (“Festa de Família”)
SÁBADO, 30 de julho Workshop 2 “Como Fazer Jornal” para público da Folhinha
QUARTA, 3 de agosto Palestra sobre o trabalho de enviado especial (Clóvis Rossi)
QUINTA, 4 de agosto
Sessão de cinema com Inácio Araujo (“Vestida para Matar”)
SÁBADO, 6 de agosto
Workshop 2 de infografia
QUARTA, 10 de agosto Debate sobre jornalismo cultural
SÁBADO, 13 de agosto Workshop “Entrevistando” para público infantil
OBS:

Às quartas, os eventos começam às 20h.
Às quintas, 19h.
Aos sábados, os workshops começam às 15h. As turmas são de no máximo 20 pessoas.
Às terças, também às 20h.

Inscrição para os eventos pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br ou pelo telefone (11) 3224-3473, das 14 às 19h.
Para as quintas-feiras, basta retirar o ingresso no próprio MIS um pouco antes do evento.


Como sincronizar cinco relógios (Jornalismo Científico)

Jornalismo e ciência têm tempos diferentes entre si, o que sempre foi problema para especialistas na área

O AQUECIMENTO global é uma das mais sérias questões da agenda mundial. Um dos capítulos do livro recomendado ao final resume bem as razões; algumas das consequências já observáveis estão no filme indicado.
O jornalismo tem obrigação de cobrir com rigor, isenção, destaque e prioridade o debate em torno do assunto. A Folha a vem cumprindo com louvor, às vésperas da cúpula de Copenhague no início de dezembro.
Esta semana, no entanto, parece ter dado pequena derrapada ao tentar extrair conclusões definitivas rapidamente demais de comunicado conjunto dos países banhados pelo Pacífico (EUA e China entre eles), ao final do encontro da APEC no domingo, no qual declaravam sua intenção de não definir no mês que vem metas fixas e obrigatórias de corte de emissões de gases causadores do efeito estufa.
A obsessão em apontar “fiascos” alheios se manifestou novamente na segunda-feira quando a palavra foi usada na primeira página para definir desde já o resultado de Copenhague. Pode ser que a reunião acabe mesmo em fiasco. Mas é cedo para decretar o resultado.
Tanto que, na quarta, sem o mesmo alarde e nenhum radicalismo (nem chamada de capa), o jornal noticiou que os presidentes Barack Obama e Hu Jintao anunciaram aceitar estipular metas em Copenhague.
A aparente contradição pode muito bem ser apenas resultado do exercício rotineiro de táticas de diplomacia, que podem incluir declarações públicas com conteúdo diverso (às vezes oposto) ao das posições de fato dos governos, a fim de sentir a reação das demais partes e da opinião pública.
Jornalismo e ciência têm tempos diferentes entre si e este sempre foi o principal problema para quem exerce essa especialização da atividade. O jornalismo anseia por conclusões finais rápidas; a ciência requer prazos longos para testar e validar hipóteses.
Esses tempos raramente sincrônicos têm que se ajustar agora também aos da diplomacia, da política e da economia, que tampouco costumam ser simultâneos entre si. Conectar os cinco relógios é tarefa dificílima.
Como se já não o fosse explicar no espaço reduzido do jornal a enorme complexidade e muitas controvérsias em torno do aquecimento global. Por exemplo, o fato de que o aumento gradativo das temperaturas no planeta não deve ser medido pela sua evolução anual, mas sim de pelo menos décadas, e talvez de meio século ou séculos.
A Folha vem usando pouco os recursos da internet, que podem levar leitores a recursos didáticos muito mais adequados à compreensão desses problemas do que a página impressa, onde deveriam constar remissões para sites confiáveis com elementos audiovisuais e de multimídia eficazes.
Se isso não for feito bem e depressa, corre-se o risco de a opinião pública se desinteressar do assunto e deixar de colocar pressão sobre os governantes, como já vem ocorrendo nos EUA. O resultado pode ser trágico.

PARA LER
“O Mito do Progresso”, de Gilberto Dupas, Editora Unesp, 2006 (a partir de R$ 29,23)

PARA VER
“Aventuras no Novo Ártico”, de Adam Ravetch, Sarah Robertson, 2007 (no canal de TV paga Telecine HD, dia 19/12, às 10h40; à venda por R$ 19,90)

Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman – Folha de São Paulo
22 de Novembro 2009


Imprensa brasileira é denunciada por delegado da Operação Satiagraha

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O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, produziu um documento de 30 páginas, em que denuncia o envolvimento da imprensa brasileira no apoio ao banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.

O material, divulgado com exclusividade pelo site Consultor Jurídico, foi apreendido pela Polícia Federal (PF) por ter sido feito sem autorização legal, e menciona revistas como Piauí, IstoÉ e o jornal Folha de S.Paulo em supostas “parcialidades” no conteúdo editorial. Segundo Protógenes, os veículos teriam produzido “reportagens que refletem o interesse de determinados grupos econômicos”, em referência ao banco Opportunity e à Brasil Telecom

O material de Queiroz se baseia em análises de artigos, editoriais, reportagens e colunas publicadas desde 2007, período em que eclodiu a Operação Satiagraha, que determinou as prisões de Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e o investidor financeiro Naji Nahas.

O delegado transcreve, em determinado trecho do documento, a reportagem “Os Vencedores da Telefonia“, publicada em 16 de janeiro de 2008 na revista IstoÉ. Segundo menciona Queiroz, o texto faz referencia a Daniel Dantas apenas como um dos acionistas da Brasil Telecom, e não, segundo ele, como personagem determinante na fusão da empresa com a OI.

Em outro trecho do material, o delegado da Satiagraha aborda a matéria “Justiça pede dados sobre Telecom Itália“, veiculada em 13 de dezembro de 2006, na Folha de S.Paulo. Queiroz afirma que o texto “curiosamente não aprofunda o aspecto da investigação que vem sendo desenvolvida na Itália, o qual trata do pagamento de propina a políticos pela Telecom Itália”, em alusão à disputa da empresa européia com o Opportunity, de Dantas, pelo controle da Brasil Telecom.

Já a revista Piauí é questionada pelo delegado por, em reportagem extensa, ressaltar a trajetória profissional do banqueiro do Opportunity, com enfoque à “inteligência e sagacidade” do empresário e não abordar com destaque seu suposto envolvimento irregular em mega transações financeiras. De acordo com Queiroz, “curiosamente a VideoFilmes, instituição de propriedade de um dos sócios da Piauí recebeu aportes financeiros da Brasil Telecom, na época em que esta era gerida por Dantas”.

A Operação Satiagraha teve seu estopim em meados de 2007, com as prisões do empresário Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e do investidor Naji Nahas. A Polícia Federal, órgão responsável pelo caso, investiga a participação dos suspeitos em ações de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em negociações financeiras.


Folha defende fim do diploma e cautela na Lei de Imprensa

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A partir das 14h desta quarta-feira (01), o Superior Tribunal Federal (STF) vota duas matérias que influenciam diretamente os profissionais de comunicação do país. Será votada, além da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, a Lei de Imprensa brasileira.

Em editorial, a Folha de S.Paulo afirma que o STF deveria acabar com a obrigatoriedade do diploma e “manter só núcleo não autoritário da legislação de 1967”, em se tratando de Lei de Imprensa. Para o diário, o Jornalismo é uma profissão livre, sobretudo em uma democracia. “A Justiça tarda a reconhecer o caráter livre da profissão de jornalista numa democracia. A obrigatoriedade do diploma afronta a liberdade de expressão, diminui a oferta de informação de qualidade e se reveste de anacronismo na era da internet, quando todos têm a oportunidade de apurar e publicar notícias”.

Já no que diz respeito à Lei de Imprensa, a Folha pede cautela da Justiça para que não fiquem “expostos à incerteza jurídica” aspectos como o direito de resposta, por exemplo. “Na falta de regra específica, restaria a aplicação dos códigos Civil e Penal, que podem ameaçar o direito à informação. A lei comum tende a dar proteção absoluta a valores como honra, privacidade e intimidade. Se for aplicada ao pé da letra, permite a censura prévia e a imposição de duras penas de prisão contra autores de ofensas veiculadas na mídia”, afirma.

Diploma e Lei de Imprensa

Em 2008, o STF suspendeu 20 dos 77 artigos presentes da Lei de Imprensa atendendo a pedido do PTD, que a considerava retrógrada. Na audiência desta quarta-feira (01/04), os dispositivos devem ser julgados em definitivo.

Já quanto ao diploma de Jornalismo, o ministro do STF Gilmar Mendes deverá dar parecer sobre a ação que questiona a obrigatoriedade do diploma no exercício do da profissão. Desde 2007, uma liminar, concedida pelo próprio ministro, dá aos profissionais de imprensa que já atuavam sem o registro no Ministério do Trabalho (MTB) o direito a exercer a função.


Argentina propõe lei para desconcentrar a mídia

untitled21Principal atingido é o grupo Clarín; governo diz que meta é “democratizar informação”

Projeto dá a teles acesso ao mercado de TV a cabo; relação dos Kirchner com grupo de comunicação se deteriorou a partir de 2008

Thiago Guimarães (Folha de São Paulo)

DE BUENOS AIRES

Em um ano em que enfrentará um teste eleitoral, o atual governo da Argentina abriu ontem mais uma frente de batalha ao apresentar sua proposta de reforma da Lei de Radiodifusão, que vai regular o futuro das comunicações no país.

Anunciada pelo governo Cristina Kirchner como intento de democratização do setor, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual autoriza a entrada das empresas de telefonia no mercado de TV a cabo, habilitando-as a oferecer o serviço de “triple play” (banda larga, TV paga e telefone), que dá seus primeiros passos no país.

No Brasil, a participação de teles nesse mercado é vetada, mas a proibição está sendo rediscutida no Congresso.

A iniciativa também limita o número de licenças de radiodifusão por empresa (24 para 10), cria uma “reserva social” (para entidades sem fins lucrativos) de 33% do espectro de radiofrequência (AM, FM, UHF, VHF), além de definir participação máxima de 35% no mercado de TV a cabo, entre outros pontos.

Por trás da discussão está a queda-de-braço do governo com o maior conglomerado de mídia do país, o grupo Clarín, dono de 50% dos mercados de TV paga e jornais, além de fatias em internet, rádio e TV.
O texto do governo atinge em cheio os interesses do grupo, por limitar sua participação e ampliar a concorrência no setor de TV a cabo -a espanhola Telefônica é um dos atores que negociam sua entrada no ramo.

“Qual é o problema, Clarín, por que está tão nervoso?”, questionou o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07) no último dia 10, ao criticar a cobertura política do grupo. A relação entre o casal Kirchner e o Clarín se deteriorou a partir do conflito do governo com o campo, em 2008. Insatisfeito com a cobertura pelo grupo, o governo apressou o debate da lei.
Mas o trato não fora sempre ruim. Foi sob Néstor, em 2007, que o governo aprovou a fusão entre a CableVisión e o Multicanal, as duas empresas líderes de TV a cabo do Clarín. Aprovada nos termos atuais, a lei poderia forçar a reversão da decisão.

“Pode ser que isso [a nova lei] levante questões ligadas a certos esquemas de negócio, mas a intenção é fortalecer a qualidade institucional da democracia e da opinião pública”, afirmou à Folha Luis Lazzaro, coordenador-geral do Comfer (Comitê Federal de Radiodifusão), órgão que regula o setor no país.

 

“Dívida da democracia”
A substituição da Lei de Radiodifusão vigente, editada na ditadura (1976-83), foi o único anúncio concreto de Cristina ao abrir o ano legislativo, no início deste mês. “É uma dívida da democracia”, afirmou então. Ontem, ela disse que a lei é “para que todos possam pensar por si mesmos e não como indicam uma rádio ou um canal”.

Cristina anunciou a lei no mesmo teatro de La Plata em que se lançou à Presidência. Com Néstor na plateia, disse que o projeto não é pessoal, mas “de todos os argentinos”.

Segundo Lazzaro, o texto será submetido a consulta pública por até 90 dias antes de ir ao Congresso. É tempo suficiente para o governo enfrentar uma batalha de cada vez -os Kirchner querem adiantar as eleições legislativas nacionais de outubro para junho.

O governo buscou legitimação social para seu projeto na Coalizão para uma Radiodifusão Democrática, encabeçada por entidades pró-governo, como a ONG Mães da Praça de Maio. “As telefônicas querem entrar no sistema de meios [de comunicação]. Sua capacidade econômica é muito maior, e quem já está, como o Clarín, quer evitar que novos entrem”, disse à rádio América Guillermo Mastrini, do grupo.

A reportagem procurou ouvir os grupos Clarín e Telefônica, mas não houve resposta.

 

 

 

 

 

 


Quando é preciso chocar sem morbidez

Faz tempo que quero destacar a coluna do ombudsman da Folha de São Paulo, atualmente sob o comando de Carlos Eduardo Lins da Silva, publicada aos domingos. 

Para os estudantes de jornalismo, entrar em contato com essa análise do próprio veículo é extremamente enriquecedor, e aliado aos exemplos e dicas de livros e filmes, só temos a ganhar com tanta informação. Aproveitem!

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Fotografias chocantes podem ajudar a manter vivos na memória coletiva horrores inomináveis e, com isso, dificultar a ocorrência de similares


Desde o caso da morte de Isabella Nardoni, em abril, o ombudsman não recebia tantas mensagens sobre um mesmo assunto numa semana, como nesta, de Ano-Novo, sobre o conflito entre Israel e palestinos.
Como é natural, com grande carga de emoção em todas e clara divisão entre as que veem no jornal proteção para um ou outro lado.
Dois leitores se queixaram de fotos de crianças mortas. Zuleika Haddad perguntou: “Por que a Folha precisa estampar foto de uma menina de 4 anos em seu funeral?“. Geraldo Pietragalla Filho argumentou que as fotos “em nada contribuem para a compreensão dessa guerra insana; são manifestações mórbidas”.

A morbidez deve ser evitada a todo custo, e o jornal precisa tomar muito cuidado com isso. Não acho que tenha esbarrado nela por enquanto.
Imagens fotográficas chocantes podem servir a propósitos humanitários e ajudar a manter vivos na memória coletiva horrores inomináveis e, com isso, dificultar a ocorrência de similares.

Como as dos prisioneiros dos campos de concentração de Auschwitz e Dachau, das deformidades provocadas em crianças pela poluição na baía de Minamata, das torturas impostas a prisioneiros iraquianos por soldados dos EUA em Abu Ghraib, dos efeitos de bombas de napalm sobre civis sul-vietnamitas, como a garota Kim Phuc, na foto acima, feita por Nick Ut, em 1972.

Não é agradável ver essas cenas. Mas às vezes é indispensável.

Quanto à cobertura em palavras do que vem ocorrendo em Gaza, a Folha começou muito mal. No sábado, enquanto os primeiros ataques aéreos ocorriam e prenunciavam o que viria, o jornal circulava com a avaliação de que a expectativa era a de que as tensões arrefecessem depois de Israel ter permitido a chegada de medicamentos e alimentos a Gaza.

Foi o contrário que ocorreu. Nunca é bom para um jornal antecipar algo e ocorrer o oposto. Mas faz parte dos riscos desta atividade.

O importante é que a Folha entendeu logo a importância dos fatos e melhorou muito ao longo da semana no seu acompanhamento. Na segunda, já estava na fronteira de Israel com Gaza seu enviado especial, que tem oferecido ao leitor o que só um jornalista do próprio veículo consegue fazer: mostrar os acontecimentos da perspectiva de real interesse do público específico.

A preocupação com o equilíbrio tem sido ostensiva. Sempre saem artigos em defesa dos dois lados em espaço comparável, descrevem-se as condições de vida dos habitantes das duas áreas (apesar da proibição à entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza), o texto de Adrian Hamilton, do “Independent”, na sexta, sobre as causas do conflito, é exemplarmente isento.

Ainda falta muito a fazer, inclusive analisar com mais profundidade as posições do governo brasileiro e suas pretensões. Não será possível agradar a todos os leitores. Mas o caminho que o jornal vem seguindo é o certo.

“Enviado Especial”, de Clóvis Rossi, editora Senac, 1999 (a partir de R$ 43,45) Seleção de reportagens feitas pelo colunista da Folha no exterior, com um capítulo sobre Israel e palestinos de 1991 e 1996

“Jornalismo e Desinformação”, de Leão Serva, editora Senac, 2001 (a partir de R$ 27,65) Reflexões sobre o papel da imprensa em situações de conflito internacional a partir da experiência do autor como correspondente de guerra na ex-Iugoslávia

Para ver

“Bem-vindo a Sarajevo”, de Michael Winterbottom, com Woody Harrelson, 1997 (a partir de US$ 13,49 em sites de venda americanos) Ambientado em 1992, filme mostra grupo de jornalistas que cobre a guerra na Bósnia e o envolvimento emocional de alguns deles com um dos lados

“Procedimento Operacional Padrão”, de Erroll Morris, 2008, em exibição pelo Brasil A partir de entrevistas com os torturadores, a reconstrução dos horrores praticados por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, que ficaram conhecidos a partir de divulgação de fotos pela imprensa