Medo de perder a Copa

Depois de tirar oxigênio de Ricardo Teixeira e de ter jogado duro com a Fifa, a presidente Dilma Rousseff decidiu suavizar a sua estratégia para a Copa do Mundo de 2014.

Motivo: temor de perder a Copa para outro país. Parece teoria da conspiração, mas tem gente graúda no governo que jura que não é.

Após a crise do “chute no traseiro”, o Palácio do Planalto recebeu um claro recado da Fifa de que havia, sim, risco nesse sentido. Patrocinadores da Copa com interesses comerciais feridos poderiam tentar levar o evento para os Estados Unidos, sob a alegação de quebra de contrato. Seria um desastre para a imagem internacional do Brasil e um prato cheio para a oposição capitalizar politicamente.

Isso explica a ação claríssima do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para dizer em alto e bom som que não havia outro jeito: quando pleiteou a realização da Copa, o Brasil aceitou a reivindicação da Fifa de que os produtos de seus patrocinadores poderiam ser vendidos nos jogos. E isso incluía bebida alcoólica.

Aldo torpedeou a ministra Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais) e o novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em entrevista na quinta de manhã, na gravação do programa “É Notícia”(RedeTV!), Aldo comentou o recuo da véspera, quando a base do governo, com aval de Ideli e Chinaglia, decidiu que vetaria a liberação do álcool na Lei Geral da Copa.

O ministro do Esporte afirmou na entrevista que o Brasil tinha “a obrigação” e “o compromisso” de liberar a venda de bebida nos estádios porque isso fazia parte do acordo que assinara com a Fifa em 2007. No mesmo dia, o Ministério do Esporte divulgou nota confirmando o entendimento com a Fifa.

Sem entrar no mérito da questão, Aldo deixou explícito que o governo Lula fizera esse acerto e que a gestão Dilma deveria honrá-lo. Foi um gesto para a reunião desta sexta (16/03), preparada para que o governo brasileiro e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, acertem os ponteiros.

Agora, o assunto entra noutra fase: convencer a base do governo no Congresso a entregar a mercadoria. O Brasil terá de suspender temporariamente sua legislação, o que abre um precedente para que o álcool possa voltar a ser vendido nos estádios em nossas campeonatos domésticos, desautorizando o Estatuto do Torcedor. No atual quadro de turbulência entre os aliados e o Palácio do Planalto, será uma batalha dura, mas Dilma acha que dá para ganhar a parada.

Por Kennedy Alencar/Folha de SP


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