Jornalismo Universitário

Archive for Junho 2009

Carta aos jornalistas sem-diploma

sem comentários

Carta aos jornalistas sem-diploma

Queridos novos colegas,

Sejam bem-vindos. Vocês podem estar se sentindo um pouco rejeitados, mas nem todos os jornalistas estão aborrecidos com a notícia de que teremos novos colegas de trabalho agora. As reações mais violentas, acreditem, escondem amores obtusos, paixões desmesuradas e, quem sabe, até uma ponta de inveja. Estou particularmente feliz com a chegada de vocês ao nosso mercado profissional. Já era hora de nos encontrarmos com novas pessoas, novas ideias e novas abordagens em nosso dia-a-dia. Tanto barulho, não se iludam, não significa nada relevante. É apenas barulho e passa. A vida de jornalista, acreditem, não tem o glamour dos filmes e nem nós, o charme de um Clark Kent. Aliás, nem super-homens somos e com tanto trabalho em frente – não falta notícia no mundo, vocês verão – já era tempo de recebermos uma ajuda nesta difícil missão de informar nossos públicos sobre o que se passa além do portão de seu jardim.

Esta carta de boas vindas é sincera e espero que seja útil agora e no futuro. Quando chegarem às redações e assessorias de imprensa, certamente alguém tratará de menosprezá-los, porque, dirão, vocês não têm diploma. Isso não os faz menos jornalistas, porque nada relevante pode ser mudado apenas com um pedaço de papel. Vocês podem lhes responder, ou não. A melhor maneira de oferecer uma resposta a eles é praticando algo que muitos de nós não conseguimos: competência, ética, frescor e novas ideias. A profissão de jornalista é muito chata. Engana-se quem pensa serem as redações ambientes de reflexão, de engajamento e de sinceros desejos de mudança. São lugares cheios da poeira simbólica da imobilidade e do conformismo. Será uma boa oportunidade para vocês mostrarem a nós, jornalistas com diploma, que estivemos absolutamente equivocados nesse tempo todo e que há outras e melhores maneiras de exercer a nossa profissão.

Desconfiem sempre de tudo. Desconfiem se alguém lhes disser que a verdade é uma só. A verdade, caros colegas, são muitas. Há a verdade da vítima e a do assassino, há a verdade do político e do eleitor, há a verdade do patrão e do empregado. Vocês não têm que escolher uma delas, apenas dar espaço a todas. Se alguém disser que vai lhes ensinar a exercer a profissão – afinal, vocês são focas em nosso ofício – recusem. Recusem com elegância e digam ao seu interlocutor que é ele que pode aprender com vocês.

Chegará a hora que perguntarão se vocês podem fazer serão. Digam não. Se podem cobrir o final de semana do aniversário de sua filha ou de sua mãe, digam não. Se vocês podem retornar das férias porque o Papa morreu. Digam não. Até hoje, dissemos sim a tudo isso porque somos idiotas. Vocês, não. Vocês pertencem a um mundo real em que o Papa é menos importante que uma garrafa de cerveja gelada em Fortaleza ou que a esplêndida vista panorâmica de Londres que se tem a partir do Greenwich Park aos domingos. Ensinem para nós e para nossos patrões que a cobertura do jogo de futebol do São Paulo é menos importante que o aniversário de dois anos de sua filha, a não ser que você seja são-paulino e sua filha também.

Confesso, a coisa mais importante que me aconteceu durante os quatro anos de faculdade não foram as aulas de jornalismo que tive. Foram as pessoas que eu conheci e o que elas puderam me ensinar, fossem ou não professores. Aproveitei muito as aulas porque prestava atenção aos meus mestres e meus colegas. Eu sou professor de Jornalismo em uma faculdade e vejo, com freqüência, muitos jovens estudantes saírem do curso superior pior do que entraram. Quando chegavam à faculdade, diziam que desejavam ser jornalistas porque a profissão os encantava, porque gostavam de escrever e aspiravam por um mundo melhor. Quando saíam, falam apenas em salário, em fama e em emprego. Quatro anos de faculdade podem transformar as pessoas. Em muitos casos, para pior.

Com ou sem faculdade, algo é muito importante: aprender. Aprendam com suas fontes, aprendam na rua, aprendam com seus vizinhos, aprendam com os grandes mestres – Joel Silveira, Gay Talese, João do Rio, Nelson Rodrigues, Cartier-Bresson e tantos outros. O “Fama e anonimato” tem mais lições que 400 anos de faculdade. Quando vocês tiverem dúvidas, ouvirão duas vozes. Preste atenção àquela que fala mais baixo. Pode ser um mestre falando com vocês.

Há três coisas que não podem ter, nunca: pressa, opinião e preferências. Tirem essas palavras de seu dicionário, elas não importam. Não se sintam ameaçados se alguém publicar a informação antes de você. Sua responsabilidade deve ser publicar melhor que ele. Seus patrões não vão concordar com você, mas tente convencê-los. O mundo está muito apressado, as pessoas estão correndo demais e ninguém sabe exatamente para onde. Sua função é diminuir o ritmo, puxar o freio de mão do planeta e fazer com que prestem atenção àquilo que ninguém vê.

Outra coisa: vocês não têm mais partido político, preferência sexual, time de futebol ou religião preferidos. Na frente da urna, na sua cama, na sua casa ou na igreja, sim. Esses são os únicos lugares em que vocês devem manifestar aquilo que pensam. Para seus leitores, telespectadores ou ouvintes, isso não importa. A única coisa que importa é a honestidade com os fatos. Não tentem empurrar a ninguém suas leituras particulares do mundo. O mundo é muito grande e suas leituras, muito pequenas dentre as bilhões de outras interpretações possíveis.

A partir do momento em que se tornarem jornalistas, vocês assumem um compromisso real com seus leitores, telespectadores ou ouvintes. Vocês não devem ter obrigação com seus patrões, com suas fontes ou com seus colegas, mas um contrato apenas com seus públicos.

Esqueçam essa besteira de diploma. Sentem-se aqui, ao nosso lado, e nos ajudem a recuperar aquilo que há tempos perdemos: o essencial.

Cannes, 26 de junho de 2009.

Rodrigo

* Rodrigo Manzano é Diretor Editorial da IMPRENSA e professor de Jornalismo na graduação e pós-graduação do UniFIAMFAAM, em São Paulo (Publicado no Portal Imprensa)

Escrito por amoralis

29 29UTC Junho 29UTC 2009 em 12:59

Publicado em notícias

Etiquetado com

“Acabaram com o diploma… Mas e daí? ”

com um comentário

A decisão anunciada pelo STF, no último dia 17, pegou de surpresa a categoria de jornalistas diplomados, causando, a princípio, uma apatia geral.

Vi jornalistas antigos e experientes indagando: “E agora, anularam minha vida!”. Vi jovens universitários e formandos se perguntando: “Por que passei todos esses anos estudando para obter um diploma e agora ele não serve para nada?”.

O fim da exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista fez gerações de profissionais irem dormir e acordarem no dia seguinte sem respostas enquanto seguiam para mais um dia de trabalho.

Eu tenho 11 anos de profissão e imagine se a partir de agora me perguntarem “o que você faz?”. Respondo: “Sou jornalista”. E a segunda pergunta vem automática: “com diploma ou sem diploma??”.

E que venham as piadas… Teoricamente, qualquer um agora é jornalista, segundo entendimento do STF, até que provem o contrário…

Piada mesmo, quem não achou foram aqueles pais que dão um duro danado para pagar a faculdade particular de seus filhos, aqueles jovens que precisam trabalhar para terminarem um curso superior que agora não vale nada, e aqueles já não tão jovens, que achavam que ter um diploma em pleno século XXI lhes daria melhores oportunidades no mercado de trabalho.

Então depois de muito pensar… Cheguei à seguinte conclusão: Acabaram com o diploma… Mas e daí?

Então, disse aos meus experientes colegas, que depois de tantos anos de profissão, com tantos conhecimentos teóricos, práticos e técnicos, curso de especialização, cursos de aperfeiçoamento, não tem porque achar que anularam minha vida. Pelo contrário, o mercado de trabalho que já estava difícil vai ficar ainda pior com tantos novos jornalistas “sem diploma”. Mas não para nós, que conquistamos, com mérito, nosso espaço.

O argumento de nossos ministros é que todos têm direito ao exercício pleno das liberdades de expressão e informação.

Acontece que nós, da categoria dos jornalistas “com diploma”, não passamos quatro anos e meio na faculdade apenas divagando sobre assuntos e expressando nossos ideais. Para isso, tem outras faculdades mais afins. Creio que exercer o jornalismo vai bem além de exercer a liberdade de expressão.

A minha faculdade e meus estágios, pelos quais os “novos jornalistas” infelizmente não terão a oportunidade de passar, me ensinaram coisas fundamentais, como ética profissional, deontologia jornalística (série de obrigações e deveres que regem a profissão), diferença de linguagem de cada veículo de comunicação, imparcialidade, ouvir os dois lados dos fatos, além de conhecimentos técnicos e em outras áreas, como Economia e Direito.

Agora, não só ministros do STF, Presidente da República, como biólogos, matemáticos, terapeutas, psicólogos, enfermeiros, copeiros e diaristas, podem passar a escrever matérias para jornais, revistas, websites, programas de TV e de rádio.

O presidente do STF, Gilmar Mendes, comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro, o que embora não seja desmerecedor, foi muito infeliz devido à tamanha falta de afinidade entre as duas profissões. Temos bons chefes de cozinha no Brasil, assim como temos bons profissionais em todas as áreas acima citadas.

Mas a conduta profissional do cozinheiro não está associada à boa redação, imparcialidade, veracidade dos fatos, ética, defesa dos direitos do cidadão e dos princípios constitucionais, já a do jornalista, sim. E essa conduta faz parte dos códigos e leis que regem a profissão, aprendidos nas salas de aula das faculdades.

Portanto, cada um no seu quadrado.

Nádia Faggiani – Jornalista e Especialista em Marketing pela FGV

Escrito por amoralis

25 25UTC Junho 25UTC 2009 em 16:05

Publicado em notícias

Etiquetado com ,

O fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo

com um comentário

diploma

* Tomás Barreiros

O destino de dezenas de milhares de brasileiros portadores de diploma superior de Jornalismo foi afetado hoje por um julgamento levado a cabo por magistrados que demonstraram não saber o que estavam julgando.

Julgava-se a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Mas todas as falas dos magistrados indicavam que eles estavam analisando outra coisa. Eles falavam do direito à livre expressão do pensamento. Outra coisa, completamente diferente.

O pior de tudo é que eles pareciam nem ter se dado conta dessa diferença. Tal cegueira seria mesmo fruto de uma enorme ignorância a respeito do que julgavam ou haveria outra coisa nos bastidores? Talvez não seja de duvidar essa hipótese, dado, por um lado, o enorme poder político e econômico dos interessados no fim do diploma e, de outro, a tradição de pouca confiabilidade de nosso sistema judiciário.

Será que os juízes do STF acreditam mesmo que os proprietários de veículos de comunicação que defendiam o fim do diploma estavam interessados em defender a liberdade de expressão, como raposas que defendem a abertura das portas do galinheiro para o bem da liberdade das galinhas?

A exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista tem tanto a ver com o direito à livre expressão do pensamento quanto a exigência de Carteira Nacional de habilitação com o direito constitucional de ir e vir.

Pela lógica dos juízes do Supremo, qualquer cidadão poderia dirigir – caso contrário, estaria tolhido na sua liberdade de ir e vir. Pela mesma lógica, os cidadãos poderão prescindir do trabalho dos advogados, em qualquer circunstância, em nome do direito constitucional à ampla defesa.

Como se vê, parecem absurdos – assim como é absurdo relacionar a exigência do diploma com a limitação à livre expressão do pensamento.

Os distintos senhores magistrados do STF têm uma ideia completamente romântica e ultrapassada do jornalismo, como se estivessem parados no século 19 ou início do século 20. Acham que ser jornalista e trabalhar num veículo de comunicação significa expressar livremente o pensamento. Ou seja, eles não têm qualquer noção do que é o trabalho do jornalista. Acham que o jornalista tem como função manifestar seu pensamento – o que todos nós, jornalistas, sabemos que não pode ser feito pelo jornalista, a não ser em casos excepcionais ou muito específicos, como na redação de artigos e crônicas, gêneros, aliás, abertos a qualquer pessoa, com ou sem diploma.

O fim do diploma tem vários subsignificados muito tristes. Como a demonstração do total despreparo dos juízes do STF para julgar uma matéria sem conhecimento mínimo do que estão tratando. A incapacidade da classe dos jornalistas de se articular com força contra os capitalistas da mídia. A facilidade imensa que têm o poder do capital contra a fraqueza dos trabalhadores nas instâncias de poder.

Esperemos agora as consequências do fato. A desvalorização da profissão. O achatamento dos salários. A ideologização cada vez maior das redações. O povoamento das redações com estagiários de vários cursos e com apaniguados do dono do negócio. Funcionários cada vez mais submissos aos condicionamentos do patrão. Enfim, tudo com que sempre sonharam muitos dos donos da mídia.

E os senhores magistrados dormirão tranquilamente, embalados por sua ignorância – que lhes garante estar convencidos de que não fizeram nada de errado.

* Jornalista profissional diplomado e professor universitário

Escrito por amoralis

23 23UTC Junho 23UTC 2009 em 13:58

Publicado em notícias

Etiquetado com ,

“A necessidade do diploma era um interesse corporativista”, diz Juca Kfouri

com 2 comentários

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

O jornalista esportivo Juca Kfouri declarou ao Portal IMPRENSA que não é a favor da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) foi acertada.

O principal argumento de Kfouri é o fato dos “grandes nomes do jornalismo não terem o diploma”. “Essa é a minha opinião: curta e grossa”, completou. No entanto, ele salienta que é a favor da formação em jornalismo para agregar qualidade ao que é produzido.

Para ele, a lei que determinava formação específica para atuar como jornalista “foi herdada da ditadura militar”. Sublinhou também que “a necessidade do diploma era um interesse corporativista que não fazia mais sentido”.

Escrito por amoralis

18 18UTC Junho 18UTC 2009 em 20:35

Publicado em Sem-categoria

Etiquetado com

Para serem competitivas, empresas devem seguir contratando formados

sem comentários

“Para serem competitivas, empresas devem seguir contratando formados”, diz Maria Isabel da Silva
Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA

A validade do diploma no momento da contratação de um profissional para um veículo de comunicação é uma das maiores questões que rondam as rodas de discussão de jornalistas, após o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, decidida pelo Superior Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (17).

Maria Isabel da Silva, jornalista, assessora de Gabinete da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e editora do jornal da AME, comenta a decisão do Tribunal e seus impactos.

Portal IMPRENSA – Na sua opinião, a decisão do STF é correta?
Maria Isabel – Não creio ser correta, pois não houve essa flexibilidade com outras profissões, apenas com o Jornalismo. E o presidente do Supremo foi infeliz ao comparar Culinária e Corte e Costura com Jornalismo, pois, sem desmerecer essas profissões, elas nada tem a ver com o Jornalismo, que é eminentemente intelectual e cuja essência é relatar os fatos e formar opiniões.

IMPRENSA – Quais as principais conseqüências, no seu ponto de vista, para a academia e para o mercado?
Maria Isabel – Haverá uma ampliação no mercado educacional, na implementação de cursos técnicos e breves, que nem de longe oferecerão a mesma qualidade que oferecem os bons cursos universitários, de longa duração, que não serão extintos e continuarão garantindo a qualidade na formação de um bom profissional de mídia. O mercado verá surgir meios de comunicação de qualidade duvidosa e o resultado será a valorização do profissional bem formado, aquele com graduação e pós-graduação em jornalismo e Comunicação. Será esperto aquele profissional que prime pela boa formação, assegurando-se em conhecimentos técnicos e teóricos.

IMPRENSA – Você acredita que as empresas continuarão a priorizar os formados?
Maria Isabel – Aquelas empresas sérias, que desejam preservar a qualidade de seus serviços continuarão a priorizar os formados, sem dúvida. Mesmo as que visem somente o lucro, se quiserem se manter no competitivo mercado da informação deverão manter quadro de colaboradores com boa formação e isso só um diploma universitário, no mínimo, pode oferecer.

Escrito por amoralis

18 18UTC Junho 18UTC 2009 em 20:34

Publicado em notícias

Etiquetado com

Para jornalista da Câmara de Comércio Americana, em mercado competitivo perde quem não tiver diploma

sem comentários

Para jornalista da Câmara de Comércio Americana, em mercado competitivo perde quem não tiver diploma
Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA

A jornalista Ana Redig, gerente de Comunicação da Câmara de Comércio Americana, acredita que o fim da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão – decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira (17) – não influenciará empresas sérias de comunicação.

“As empresas que trabalham a comunicação a sério não vão contratar alguém sem formação”, declarou ao Portal IMPRENSA. Para a profissional, formada pela Universidade Federal Fluminense, “todas as profissões têm seu expertise”; a exigência do diploma é “uma questão de respeitar a formação”.

IMPRENSA – Na sua opinião, a decisão do Supremo Tribunal Federal é correta?
Ana Redig – Não. Não acho mesmo que deveria ter sido julgada. Parece mesmo que o STF não tem matéria mais importante para se preocupar. As empresas que trabalham a comunicação a sério não vão contratar alguém sem formação. Nenhum restaurante, usando a comparação infeliz do relator, ministro Gilmar Mendes. contrataria um chef que não sabe cozinhar, não sabe planejar as compras, prever as bebidas necessárias, montar um cardápio. Todas as profissões têm seu expertise. É uma questão de respeitar a formação. Queria ver se acabassem com a prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

IMPRENSA – Quais as principais consequências para a academia e para o mercado?
Ana – Creio que vão aparecer milhares de cursinhos para dar mini aulas de texto, internet e tal. Essas pessoas acabarão por serem contratados pela metade do valor já mal pago pelo mercado. Os patrões terão exatamente este argumento para pagar pior: você não tem formação superior.

IMPRENSA – Você acredita que as empresas continuarão a priorizar os formados?
Ana – Sim, o próprio presidente da Associação Nacional de Jornais [Paulo Tonet Camargo] disse que as empresas associadas continuarão a contratar jornalistas formados com curso superior. Em um mercado competitivo, perde quem não tem formação básica, já é necessário ter inglês e, para algumas posições, a pós graduação já é uma exigência. É o mercado quem dá as cartas, não o STJ.

Escrito por amoralis

18 18UTC Junho 18UTC 2009 em 20:33

Publicado em música

Etiquetado com

Diploma de Jornalismo – As opiniões

sem comentários

diploma
“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

Por Alberto Dines (Observatório da Imprensa)
“Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.

Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.

No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.

É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.”

Por Luiz Antonio Magalhães (Observatório da Imprensa)

“A questão da exigência do diploma para exercício do jornalismo é na verdade até simples: a profissão de jornalista dispensa a formação universitária específica porque não existe nenhuma técnica, norma ou regra que não se possa aprender nas redações, trabalhando, ou seja, fora das salas de aula. Há diversas profissões com as mesmas características, além da de cozinheiro, citada ironicamente pelo ministro Gilmar Mendes. Publicitários, músicos, artistas, escritores são alguns assemelhados: é perfeitamente possível realizar o trabalho sem ter aprendido a teoria na escola.

Tudo que um bom jornalista precisa é de talento, curiosidade e vontade de aprender a exercer a profissão, seja na universidade ou no dia a dia de seu trabalho. E de preferência manifestar esta vontade ao longo de toda a sua vida, continuamente.

Salvo exceções, os melhores profissionais acabarão sendo os mais bem formados e para isto só há uma coisa a fazer: estudar bastante. Este observador recomendaria a um jovem que deseja ingressar na profissão que curse qualquer faculdade – pode ser Direito, Economia, Engenharia, qualquer das Ciências Humanas ou até mesmo Medicina, Química ou Matemática. Uma pós-graduação em Comunicação complementaria maravilhosamente a formação, mas isto não é uma necessidade imperiosa.

O fim da exigência do diploma acaba com uma barreira corporativista tacanha, levantada por um sindicalismo medíocre, e não significa em absoluto o fim das escolas de jornalismo. De fato, o fim da exigência não impedirá que muitos jovens continuem cursando jornalismo para ingressar na profissão. Atualmente existem excelentes faculdades de Publicidade e Marketing, embora o diploma não seja obrigatório para o exercício da profissão. Muitos profissionais que se destacam neste meio são recrutados nas universidades. Por outro lado, gente com talento especial e até sem educação formal alguma poderá exercer o jornalismo sem os constrangimentos dos defensores de um canudo que no fundo só servia para a manutenção de seus próprios feudos no meio sindical.”

Escrito por amoralis

18 18UTC Junho 18UTC 2009 em 15:00

Diploma de jornalismo…eis a questão!

com um comentário

0916963

Escrito por amoralis

18 18UTC Junho 18UTC 2009 em 14:07

Publicado em notícias

Etiquetado com ,

Blog da Petrobras cria polêmica entre jornalistas

sem comentários

petro

O blog institucional da Petrobras, Fatos e Dados, lançado no dia 02/06, tem sido alvo de críticas de jornalistas. A página tem publicado diariamente esclarecimentos, com as perguntas dos repórteres e as respostas dadas aos profissionais.

Veículos como O Globo e Folha de S. Paulo criticam a estatal por vazamento de informações, porque as respostas têm sido postadas antes da publicação das matérias nos jornais. Para a Petrobras, a publicação das perguntas e respostas não é ilegal porque as informações são publicas.

“A companhia entende que não houve quebra de confidencialidade ou ilegalidade na publicação das perguntas e respostas enviadas aos jornalistas (…) a relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública (…) Tanto as respostas da Petrobras são públicas quanto as perguntas dos repórteres também o são, ou deveriam ser”, informa a estatal em seu blog.

A Petrobras diz que a página foi criada para apresentar dados e fatos recentes sobre as políticas da empresa e a posição sobre a CPI, além da publicação na íntegra das respostas aos questionamentos feitos pelos jornalistas.

“Guerra à imprensa”
No texto do blog de Reinaldo Azevedo, da Revista Veja, É hora de desprivatizar a Petrobras, o jornalista afirma que empresa decidiu “declarar guerra à imprensa” e que se trata de “manobra espúria” da companhia.

O jornalista Luis Nassif rebate em seu blog a acusação do O Globo de que a Petrobras estaria vazando as informações da imprensa. No post “O fim da era das perguntas em off” ele diz: “Depois de abusar de declarações em off, a imprensa começa a trabalhar o conceito das perguntas em off, uma inovação extraordinária.(…) Usar dossiês pode, divulgar grampos pode. Mas divulgar perguntas e respostas destinadas a matérias supostamente publicáveis não pode”.

Procurada pelo Comunique-se, a Petrobras afirmou que continuará publicando seus esclarecimentos e respostas aos questionamentos dos jornalistas no blog, e que sempre que responde aos repórteres publica em seguida as respostas na íntegra em sua página. (Comunique-se)

Escrito por amoralis

9 09UTC Junho 09UTC 2009 em 12:24