Jornalismo Universitário

Archive for Agosto 2008

100 anos de Machado de Assis (Por Bruno Palmito)

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De vendedor de doce a escritor do mundo – 100 anos sem o pai da literatura brasileira   

 

O renomado escritos, Machado de Assis, também possuía uma eximia habilidade no xadrez, seu hobbie preferido

 

Instituído pelo Ministério da Cultura como “Ano Nacional Machado de Assis”, 2008 marca o centenário da morte (ocorrida em 29 de setembro de 1908) do maior escritor brasileiro, reconhecido internacionalmente, Joaquim Maria de Machado de Assis, que nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Filho de operário perdeu sua mãe ainda muito jovem. Em 1855, aos quinze anos, Machadinho, como era conhecido, estreou na literatura, com a publicação, na revista Marmota Fluminense, do seu poema “Ela”.

A carreira de Machado de Assis, de acordo com suas obras, teve dois períodos. A primeira fase com livros de caráter românticos, como: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1974), Helena (1876), e Iaiá Garcia (1878), além das coletâneas de contos.

Já a segunda fase era marcada pelo realismo e introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo, neste período foram registrada obras como: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Esaú e Jacó (1904).

Em 1897 Lúcio Mendonça, escritor carioca, ao lado de Machado de Assis fundou a Academia Brasileira de Letras, no qual Machado foi o primeiro presidente por mais de dez anos.

Para homenagear o escritor será lançada, em setembro, uma edição especial de suas 42 obras, completas, em formato digital. As obras machadianas poderão ser baixadas pela internet gratuitamente no site www.dominiopublico.gov.br

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29 29UTC Agosto 29UTC 2008 em 16:21

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A verdade é complicada (por Adriano Moralis)

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Os sites americanos são quase unânimes, quem venceu as Olimpíadas de Pequim foram os americanos! Ignorando o método de contagem oficial do COI, onde as medalhas de ouro indicam quem venceu, os Estados Unidos mostram que realmente são uma potência, prepotência!

E para os críticos do imperialismo yankee, antes de falarem mal do vizinho de cima, olhem para a própria sala de jantar, afinal, o COB (Comitê Olimpíco Brasileiro) está “manipulando” a informação da mesma forma na tentativa de mostrar que sim, nós brasileiros nos superamos em Pequim, assim como fizemos o Pan 2007 perfeito e que temos absoluta capacidade de sediar uma Copa do Mundo e quem sabe as Olimpíadas de 2016!  Somos todos Alices no país das maravilhas!

Escrito por amoralis

26 26UTC Agosto 26UTC 2008 em 14:07

Jean Baudrillard, entrevista!

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Depois do debate de uma só voz na aula de ontem, resolvi postar esta entrevista de Jean Baudrillard, interessante!

JEAN BAUDRILLARD

A verdade oblíqua

O pensador que inspirou a trilogia “Matrix” não gosta do filme e acha que a cultura americana impõe padrões banais

LUíS ANTôNIO GIRON

O professor baixo e mal-humorado é hoje uma das figuras mais populares do novo século. O pensador francês Jean Baudrillard, de 74 anos, recusa-se a falar em inglês. Mesmo assim, é tão popular nos Estados Unidos por causa de suas análises sobre a cultura de massa que foi convidado a fazer um show de filosofia em Las Vegas. E seu nome está na boca dos espectadores da trilogia Matrix. No primeiro filme dos irmãos Wachowski, o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Keanu leu o livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix Reloaded, o novo filme da trilogia. Até porque o ensaio sobre como os meios de comunicação de massa produzem a realidade virtual inspirou os diretores de Matrix a criar o roteiro.

Baudrillard não parece ligar para a fama. Ele esteve no Brasil para lançar seu novo livro, Power Inferno (Sulina, 80 páginas, R$ 18), e participar da conferência ‘A Subjetividade na Cultura Digital’, na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde falou com ÉPOCA. Sempre pautado por assuntos atuais, ele analisa no ensaio os atentados de 11 de setembro de 2001 como um ato simbólico contra o Ocidente. Nesta entrevista, ele fala sobre seu pensamento turboniilista, 11 de setembro e arte. Se a realidade já não existe e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de mídia, como quer Jean Baudrillard, o pensador exerce a função de entertainer às avessas. Ele decreta o fim dos tempos, e todo mundo vibra.

ÉPOCASuas idéias demolidoras estão mais em moda do que nunca. O mundo ficou mais parecido com o senhor?
Jean Baudrillard – Não aconteceu nada. O resultado de um consumo rápido e maciço de idéias só pode ser redutor. Há um mal-entendido em relação a meu pensamento. Citam meus conceitos de modo irracional. Hoje o pensamento é tratado de forma irresponsável. Tudo é efeito especial. Veja o conceito de pós-modernidade. Ele não existe, mas o mundo inteiro o usa com a maior familiaridade. Eu próprio sou chamado de ‘pós-moderno’, o que é um absurdo.

ÉPOCAMas pós-modernidade não é um conceito teórico racional?
Baudrillard – A noção de pós-modernidade não passa de uma forma irresponsável de abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Trata-se de um sistema de interpretações a partir de uma palavra com crédito ilimitado, que pode ser aplicada a qualquer coisa. Seria piada chamá-la de conceito teórico.

ÉPOCASe não é pós-moderno, como o senhor define seu pensamento em poucas palavras? Os críticos o chamam de pensador terrorista, ou niilista irônico.
Baudrillard – Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.

ÉPOCAComo o senhor explica a espetacularização da realidade?
Baudrillard – Os signos evoluíram, tomaram conta do mundo e hoje o dominam. Os sistemas de signos operam no lugar dos objetos e progridem exponencialmente em representações cada vez mais complexas. O objeto é o discurso, que promove intercâmbios virtuais incontroláveis, para além do objeto. No começo de minha carreira intelectual, nos anos 60, escrevi um ensaio intitulado ‘A Economia Política dos Signos’, a indústria do espetáculo ainda engatinhava e os signos cumpriam a função simples de substituir objetos reais. Analisei o papel do valor dos signos nas trocas humanas. Atualmente, cada signo está se transformando em um objeto em si mesmo e materializando o fetiche, virou valor de uso e troca a um só tempo. Os signos estão criando novas estruturas diferenciais que ultrapassam qualquer conhecimento atual. Ainda não sabemos onde isso vai dar.

 

 

ÉPOCAA disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a civilização à renúncia do saber?
Baudrillard – Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia.

ÉPOCASeu raciocínio lembra os dos personagens da trilogia Matrix. O senhor gostou do filme?
Baudrillard – É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.

ÉPOCAQuanto à arte, o senhor se dedicou a analisar o fenômeno artístico ao longo dos anos. Em que pé se encontra a arte contemporânea?
Baudrillard – A arte se integrou ao ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav Mahler. Claro que há exceções, mas, em geral, os artistas se renderam à realidade tecnológica. Desde os ready-mades de Marcel Duchamp, a importância da arte diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a singularidade. Os artistas se submetem a imperativos políticos, e não mais seguem ideais estéticos. A arte já não transforma a realidade e isso é muito grave.

ÉPOCAPor que o senhor escreveu tanto sobre a cultura americana mas nunca refletiu sobre o Brasil, que o senhor tanto adora visitar?
Baudrillard – Já me cobraram um livro sobre o Brasil. Cito-o em minhas Cool Memories (trabalho no quinto volume) e em outros textos, mas a cultura brasileira é muito complexa para meu alcance teórico. Ela não se enquadra muito em minhas preocupações com a contemporaneidade, não tem nada a ver com a americana, com seus dualismos maniqueístas, um país que se construiu a partir das simulações, um deserto da cultura no qual o vazio é tudo. Os Estados Unidos são o grau zero da cultura, possuem uma sociedade regressiva, primitiva e altamente original em sua vacuidade. No Brasil há leis de sensualidade e de alegria de viver, bem mais complicadas de explicar. No Brasil, vigora o charme.

ÉPOCAO que o senhor pensa da civilização americana depois dos atentados de 11 de setembro? O mundo mudou mesmo por causa deles?
Baudrillard – Claro que mudou. Nunca mais seremos os mesmos depois da destruição do World Trade Center. Abordo o tema em Power Inferno, uma coletânea de artigos sobre o império americano e a política. Considero os atentados um ato fundador do novo século, um acontecimento simbólico de imensa importância porque de certa forma consagra o império mundial e sua banalidade. A Guerra do Iraque apenas dá seqüência às ações imperiais. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas introduziram uma forma alternativa de violência que se dissemina em alta velocidade. A nova modalidade está gerando uma visão de realidade que o homem desconhecia. O terrorismo funda o admirável mundo novo. Bom ou mau, é o que há de novo em filosofia. O terrorismo está alterando a realidade e a visão de mundo. Para lidar com um fato de tamanha envergadura, precisamos assimilar suas lições por meio do pensamento.

JEAN BAUDRILLARD
Nascimento
Reims, na França, em 1929
Trajetória
Sociólogo e fotógrafo. Em 1966 começou a lecionar na Universidade de Paris X-Nanterre. Atualmente, dedica-se a escrever e fazer palestras
Livros principais
O Sistema dos Objetos (1968), À Sombra das Maiorias Silenciosas (1978), Simulacros e Simulação (1981), América (1988), Cool Memories I (1990), A Troca Impossível (1999), O Lúdico e o Policial (2000)

Escrito por amoralis

26 26UTC Agosto 26UTC 2008 em 13:56

Jango, a renúncia! (Por Bruno Palmito)

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Em 25 de agosto de 1961….. Vamos cantar parabéns……

 

Jânio da Silva Quadros (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um político e o décimo-sétimo presidente do Brasil; entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que “forças terríveis” o obrigavam a esse ato. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo pelo PTB. Jânio foi o único sul-matogrossense presidente do Brasil.

 

A renúncia

 

Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara, – o derrubador de presidentes – percebendo que Jânio fugia ao controle das lideranças da UDN, mais uma vez se colocou como porta-voz da campanha contra um presidente legitimamente eleito pelo povo (como havia feito com relação a Getúlio Vargas e tentado, sem sucesso, com relação a Juscelino Kubitschek). Não tendo como acusar Jânio de corrupto, tática que usou contra seus dois antecessores, decidiu impingir-lhe a pecha de golpista.

Em um discurso no dia 24 de Agosto de 1961, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, Lacerda denunciou uma suposta trama palaciana de Jânio e acusou seu Ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, de tê-lo convidado a participar de um golpe de estado.

Na tarde de 25 de agosto, Jânio Quadros, para espanto de toda a nação, anunciou sua renúncia, que foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional. Especula-se que talvez Jânio não esperasse que sua carta-renúncia fosse efetivamente entregue ao Congresso. Pelo menos não a carta original, assinada, com valor de documento.

O popular rádio jornal daquela época, o Repórter Esso, em edição extraordinária, no dia 25 de agosto, atribuiu a renúncia a “Forças ocultas”, frase que Jânio não usou, mas que entrou para a história do Brasil e que muito irritava Jânio, quando perguntado sobre ela.

Cláudio Lembo, que foi Secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura durante o segundo mandato de Jânio, recorda dois pedidos de renúncia que Jânio lhe entregou – e preferiu guardar no bolso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo [9] disse Lembo:

Ele fazia isso em momentos de tensão ou muito cansaço, ou de “stress”, como os jovens dizem hoje. Era aquele cansaço da luta política, de quem diz ‘vou embora’. Mas não era para valer. [9]

Era voz corrente, na ocasião, que os congressistas não dariam posse ao vice-presidente, João Goulart, cuja fama de “esquerdista” agravou-se após Jânio tê-lo enviado habilmente em missão comercial e diplomática à China. Essa fama de “esquerdista” fora atribuída a Jango quando ele ainda exercia o cargo de ministro do Trabalho no governo democrático de Getúlio Vargas (1951-1954), durante o qual aumentou-se o salário mínimo a 100% e promoveu-se reforma agrária – atitudes essas consideradas suficientemente “comunistas” pelos setores conservadores na época.

Por outro lado especula-se que Jânio estaria certo de que surgiriam fortes manifestações populares contra sua renúncia, com o povo clamando nas ruas por sua volta ao poder – como ocorreu com Charles de Gaulle. Por isso Jânio permaneceu por horas aguardando dentro do avião que o levaria de Brasília a São Paulo.

Tudo indica, entretanto, que algum tipo arranjo foi feito, nos bastidores da política, para impedir que a população soubesse em que local Jânio se encontrava nos momentos mais cruciais – imediatamente após a divulgação de sua carta de renúncia.

Jânio Quadros alegou a pressão de “forças terríveis” que o obrigavam a renunciar, forças que nunca chegou a identificar. Com sua renúncia abriu-se uma crise, pois os ministros militares vetavam o nome de Goulart. Assumiu provisoriamente Ranieri Mazzili, enquanto acontecia a Campanha da Legalidade; nesta campanha destacou-se Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango. Com a adoção do regime parlamentarista, e conseqüente redução dos poderes presidenciais, finalmente os militares aceitaram que Goulart assumisse. O primeiro Primeiro-Ministro do Brasil foi Tancredo Neves. A experiência parlamentarista, contudo, foi revogada por um plebiscito em 6 de janeiro de 1963, depois de também terem sido primeiros-ministros Brochado da Rocha e Hermes Lima.

 

Escrito por amoralis

26 26UTC Agosto 26UTC 2008 em 13:44

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O que um jornalista não deve fazer quando for ser correspondente na China

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Carroll Bogert

Está cada vez mais claro que o governo chinês não honrará as promessas feitas ao Comitê Olímpico Internacional de respeitar a liberdade de imprensa, nem mesmo em relação aos jornalistas estrangeiros que já estão chegando aos milhares em Pequim. Isso deixou muitos deles coçando a cabeça e se perguntando como cobrirão as Olimpíadas da China. Mas eles poderiam muito bem estar perguntando como não cobrirão os Jogos.

Quando estava na universidade, eu era uma admiradora ardente de um famoso correspondente internacional. Ele inaugurou o escritório do seu jornal em Pequim e escreveu energicamente a respeito da China que acabava de sair da Revolução Cultural e ousava seguir as diretrizes de Deng Xiaoping para a adoção de uma economia mais livre. Ele não se esquivou das histórias sombrias da repressão política da China, tanto as passadas quanto as presentes. Muitas dessas histórias foram narradas no seu best-seller a respeito daqueles anos iniciais, quando os correspondentes internacionais estavam estabelecendo as suas bases de operações na China pela primeira vez desde a tomada do poder pelos comunistas.

Quando eu cheguei na China para trabalhar como estagiária do “The Washington Post” em 1985, descobri que o problema era que algumas das pessoas entrevistadas por aquele jornalistas veterano foram perseguidas por terem falado com um repórter estrangeiro. Uma delas chegou a ir para a cadeia. E isso fez com que o nome do meu herói jornalista ficasse enodoado junto à comunidade de correspondentes internacionais de Pequim.

Um repórter de uma agência de notícias que eu conheci após o massacre da Praça da Paz Celestial cometeu um erro similar. Ele é um jornalista notável, que mais tarde foi trabalhar em um grande jornal internacional.

Mas logo após o esmagamento da democracia, em 1989, ele citou os comentários altamente críticos feitos por um amigo chinês contra o governo. O chinês era um acadêmico jovem, educado no Ocidente, que havia conversado com vários correspondentes. Ainda bem que ele conseguiu sair do país sem ter sido preso, mas o incidente poderia muito bem ter terminado de uma forma menos feliz.

Tão importante quanto aquilo que se escreve na China é aquilo que não se
escreve: as fontes que não são citadas (mesmo que elas digam que “não tem problema”); as fotos que não são tiradas; as casas e locais de trabalho nos quais não se entra. Especialmente se o jornalista não ficar muito tempo na China, ou se não falar a língua (desculpas que não poderiam ser usadas por nenhum dos dois correspondentes), a máquina repressiva do governo pode ser invisível para ele. O jornalista pode não perceber a verdadeira função do agente do Departamento de Segurança Pública que o acompanha. E o correspondente já terá deixado a cidade há muito tempo quando o agente voltar para fazer uma visita àquele fascinante empresário da Internet com o qual o repórter tomou chá durante umas duas horas em Wuhan. Pode ser que o jornalista nunca saiba que, após a entrevista, a sua fonte teve que pagar uma propina enorme para manter seu negócio funcionando ou para que o seu filho pudesse continuar freqüentando a universidade. A mulher dele não ligará para o repórter quando o entrevistado for arrastado para a delegacia de polícia para passar por um “questionamento”. Essas fontes aprenderão a lição – não falar com repórteres -, mas o jornalista não estará lá para aprender a dele.

Assim sendo, como proteger as suas fontes na China? Como foca que cobriu o massacre da Praça da Paz Celestial para a revista “Newsweek”, eu fiz a coisa da forma errada e fui repreendida pelo meu editor. O colunista de mídia da revista estava escrevendo exatamente sobre essa questão, como proteger as fontes após a onda de repressão, e me entrevistou para a sua matéria. Eu disse a ele tranqüilamente a verdade, ou seja, que mudei uma letra do sobrenome da minha fonte. Afinal, os leitores da “Newsweek” não iriam se importar se Wang Zhen virasse Wang Zhan.

Se eles se importaram ou não, eu não sei, mas o meu editor se importou, e com razão. Se você vai modificar um nome para proteger uma fonte, é necessário que informar isso na matéria. Mas não deixe que esse fato o intimide. Apesar do furor recente em torno do uso de fontes anônimas, eu não acredito que os leitores repudiem essa prática. Na verdade, isso faz parte da informação importante que você tem a responsabilidade de passar para eles: falar com repórteres ocidentais ainda é algo perigoso para o povo chinês, e nós ainda temos a responsabilidade de proteger essas pessoas.

*Carrol Bogert é diretora associada da Human Rights Watch e ex-correspondente internacional da revista “Newsweek”

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25 25UTC Agosto 25UTC 2008 em 13:05

Acabou!

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Editorial da Folha de São Paulo, 25 de agosto de 2008

Apesar de alguns feitos notáveis -como as medalhas de ouro conquistadas por César Cielo, na natação, Maurren Maggi, no salto, e a equipe feminina de vôlei-, um sentimento de frustração parece inevitável diante do desempenho dos atletas brasileiros na Olimpíada de Pequim.

No caso da seleção masculina de futebol, um longo tratado, repleto de antecedentes históricos, de análises de psicologia motivacional e de bastidores administrativos, ainda está por ser escrito pela crítica especializada. No contexto deste comentário, basta citar o conselho de Virgílio a Dante Alighieri, no passo da “Divina Comédia” em que ambos contemplam o destino das almas incaracterísticas, carentes de ímpeto próprio: “Non ragionam di lor, ma guarda e passa”.

Passemos, portanto, ao largo da questão. Vale mais refletir sobre os exemplos das estrelas em outras modalidades esportivas que, por alguma razão, tiveram desempenho inferior ao esperado. Sejam quais forem as precariedades com que todo atleta brasileiro é forçado a conviver, o fato é que acidentes, imprevistos e frustrações são normais em qualquer competição esportiva.

O que parece fugir, talvez, aos padrões rotineiros em outros países é a carga de emocionalidade e expectativa que se deposita, muitas vezes, sobre a figura individual deste ou daquele jovem atleta, que por alguns dias experimenta sobre os ombros o peso de uma exposição midiática e de um furor patriótico sem freios.

Pode-se dizer, claro, que em muitos outros países, a começar pela própria China, uma veemente necessidade de auto-afirmação nacional faz de cada disputa por medalha olímpica uma empreitada cívica.
Mais do que os desafios inerentes a cada modalidade esportiva, é como se estivessem em jogo vários séculos de história, cuja carga de insucessos devesse ser superada num salto fenomenal, numa pirueta espetacular, num giro sobre-humano.

Ocorre que a China -como, no passado, os países do Leste Europeu- investiu pesadamente no treinamento de seus atletas. Aqui, é como se os sonhos de um país inteiro se encarnassem num número relativamente pequeno de esportistas, cujos eventuais malogros repercutem desproporcionalmente, sem dúvida, sobre os ânimos gerais.

Ganhamos menos medalhas do que poderíamos; paciência. Investir mais em esporte é fundamental para o bem-estar, a saúde e o lazer da população; tal objetivo não tem necessariamente de vir atrelado ao de subir novos degraus no “ranking” olímpico.

A simbologia dos recordes e do ouro é sem dúvida significativa, mas não deixa de ser simbologia apenas. Sediar a Olimpíada -outra questão em que os brios nacionais se acendem- tampouco fará, por si só, do Brasil um país diferente do que é.

Afinal, seu engrandecimento, no esporte como em qualquer outra área, não se mede em recordes, prêmios e medalhas, mas sim na conquista de uma vida melhor para a população.

Escrito por amoralis

25 25UTC Agosto 25UTC 2008 em 12:21

Dicas de Português

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“Fazem quase três meses que entrei na faculdade”

 

Fazem quase três meses que entrei na faculdade.

É extremamente comum se ouvir esse tipo de frase no Brasil.

É até capaz de alguns dizerem que se deve considerá-la certa, pois grande parte dos brasileiros já incorporou essa expressão em seu linguajar.

O meu intuito, porém, é ensinar a língua padrão, e não me resignar às manifestações lingüísticas populares.

A gramática normativa da língua portuguesa determina que o verbo fazer, na indicação de tempo decorrido e de fenômeno da natureza, seja impessoal, ou seja, nesses casos, o verbo fazer não tem sujeito, por isso não tem com quem concordar, devendo ficar, obrigatoriamente, na terceira pessoa do singular.

A frase apresentada, portanto, tem de ser corrigida para:

Faz quase três meses que entrei na faculdade.

Se o verbo fazer vier acompanhado de outro verbo, formando, assim, uma locução verbal, passará a impessoalidade a este verbo (verbo auxiliar), e os dois ficarão no singular.

Outros exemplos:

  • Amanhã fará quinze anos que Zulmira faleceu.
  • Deve fazer oito meses que ela se foi.
  • Eu não o via fazia três anos.
  • Escrito por amoralis

    22 22UTC Agosto 22UTC 2008 em 14:14

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    19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo

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    Começa amanhã, e vai até o dia 29 de agosto, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. A mostra terá várias sessões distribuídas em salas de toda a cidade, em cinemas como Cinesesc, Cinemateca, Espaço Unibanco, Cinusp e Unibanco Arteplex, entre outros. (Resfest)

    Para ver a programação completa do festival, é só clicar aqui.

    Escrito por amoralis

    22 22UTC Agosto 22UTC 2008 em 13:44

    Conheça os desdobramentos da Nova Lei de Estágio

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    Projeto que segue para sanção presidencial já gera especulações

    Por Larissa Leiros Baroni

    Embora a nova lei de estágio nem tenha sido sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já coleciona especulações a respeito dos possíveis reflexos que vai gerar. Aprovada na Câmara dos Deputados no último dia 13 de agosto, ela só depende da sanção presidencial para entrar em vigor, o que não tem prazo para acontecer. No entanto, a proposta movimenta Instituições de Ensino Superior, o meio empresarial e estudantes de todo país. Uma repercussão que divide opiniões: enquanto uns acreditam que a proposta vai diminuir as ofertas de estágios, outros prevêem o contrário e apostam no aumento das vagas.

    Os dados do último censo do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) apontam que há no Brasil 4,6 milhões de estudantes matriculados no nível superior. Porém, segundo uma pesquisa realizada pela Abres (Associação Brasileira de Estágios) somente 715 mil deles conseguem estagiar. A dúvida que fica é: será que a nova medida vai solucionar ou amenizar o problema do déficit de 3,9 milhões de vagas?

    Para o gerente nacional de estágio do IEL (Instituto Euvaldo Lodi) – órgão ligado à CNI (Confederação Nacional da Indústria) – Ricardo Romeiro, quando a nova lei de estágio entrar em vigor, as empresas vão se sentir mais oneradas e num primeiro momento deverão reduzir as vagas. “A partir da sanção presidencial, as organizações terão que oferecer aos seus estagiários férias proporcionais, transporte e bolsa-auxílio. Isso representa aumento de custos”, explica. Segundo ele, nem todas as instituições estarão preparadas para elevar suas despesas. “E a solução, para algumas delas, será cortar vagas”, acredita ele.

    Apesar do cenário previsto por Romeiro, há quem acredite que com a diminuição da carga horária de trabalho, que passa a ser limitada a seis horas diárias, muitos empresários poderão substituir uma vaga de oito horas por duas de quatro. “Atualmente, há muitos programas de estágios com carga horária de oito horas por dia. Uma coisa é certa: as empresas terão que se adaptar às novas regras. Ou elas terão que abrir mão da presença dos estudantes por duas horas ou terão que criar mais vagas para cobrir os buracos”, aposta a diretora do departamento de estágios da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Maria de Lourdes Pereira Dias.

    A questão, no entanto, não é tão simples quanto parece. De acordo com a consultora e responsável pelos programas de estágio da Clave Consultoria – prestadora de serviços em Recursos Humanos para empresas com OI, Ipiranga, Souza Cruz, Coca-Cola, Globo e Mongeral -, Renata Damasio, a criação de vagas requer uma reestrutura dos processos. “Isso requer aumento de infra-estrutura e consequentemente de recursos. Nem todas as organizações terão condições financeiras e até físicas para receber dois estagiários no lugar de um”, opina.

    Há ainda os profissionais que são mais cautelosos nas suas análises. Um deles é o presidente da Abres, Seme Arone Junior. Na opinião dele, haverá uma estagnação nas oportunidades, já que os primeiros meses serão de adaptação tanto para o meio acadêmico quanto para o empresarial. “Enquanto algumas empresas deixarão de contratar estagiários, outras irão contratar mais. Nesse balanço, acredito que o número das vagas não vão nem cair e nem aumentar significativamente”, argumenta Arone Júnior.

    O pai do projeto, o senador Osmar Dias (PDT-PR), aposta que a nova lei aumentará as oportunidades de trabalho para os jovens. “Com a sanção das novas regras, os empresários terão incentivos fiscais para contratar estudantes. Será possível inclusive deduzir no imposto de renda os gastos com eles. Isso será um atrativo a mais para o meio empresarial e incentivará a abertura de novas vagas”, declara Dias, embora no texto aprovado no Congresso não haja nenhuma referência a incentivos fiscais.

    O que muda

    Embora as especulações a respeito dos reflexos da nova lei de estágio sejam bem diversificadas, há um consenso entre os especialistas ouvidos pela reportagem a respeito do suposto avanço da proposta para as relações de trabalho estudantil. “O projeto é um progresso principalmente porque irá substituir a lei de 1977, que já esta bastante defasada. O mercado de trabalho mudou e as regras precisam se adaptar a essas mudanças”, afirma o gerente nacional de estágio do IEL, Ricardo Romeiro. Além disso, o presidente da Abres acredita que a proposta seja mais clara em relação aos direitos e deveres dos estudantes, das empresas e das instituições de ensino. “Regras que vão obrigar esse tripé a encarar o estágio com um ato educativo”, Arone Júnior

    Polêmicas à parte, o fato é que todos os atores desse espectro terão de se adaptar. De um lado as instituições de ensino superior, que terão de adaptar os projetos pedagógicos com a previsão do estágio opcional ou pedagógico para que possam ceder o direito do estágio aos seus estudantes. Do outro, as empresas terão de conceder férias proporcionais, vale-transporte, bolsa-auxílio e seguro contra acidentes pessoais a seus estagiários. Por fim, aos estudantes será limitada a carga horária de trabalho para no máximo 30 horas semanais, além da restrição da duração do estágio que não poderá exceder dois anos.

    Segundo a gerente do Ibmec Carreiras, Maria Ester Pires da Cruz, apesar do estágio ainda não caracterizar vínculo empregatício, ele se aproxima cada vez mais das características dos contratos CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “A nova lei vai controlar o uso de mão-de-obra barata e obrigar as empresas a aproveitarem os estagiários em posições que desenvolvam o lado profissional. Não mais em cargos supérfluos. Isso é um avanço para as relações de trabalho estudantis”, acredita.

    Outro aspecto da lei visto com bons olhos pela maioria dos especialistas ouvidos pelo Universia é a redução da carga horária de trabalho e a restrição da duração do programa. De acordo com a professora da UFSC, o estágio é ensino e não trabalho, e essas normas irão contemplar ainda mais essa característica. “Dois anos numa única empresa é mais do que suficiente para aprender. Além disso, a diminuição do tempo de trabalho possibilitará melhor rendimento acadêmico e qualidade do ensino. Haverá mais tempo livre para o estudante ser cidadão, fazer cursos de idiomas, atividades de esporte ou até mesmo descansar. Estágio de 8 horas é exploração de mão-de-obra”, critica Maria de Lourdes.

    No entanto, o valor da bolsa-auxílio pago atualmente aos estagiários pode estar em xeque. Embora o projeto não fale na diminuição da remuneração do estagiário, com a redução da carga horária, é possível supor que o mercado se adapte e compense o tempo menor de trabalho a valores menores de auxílio. “Mais de 90% dos estagiários utilizam a bolsa-auxílio para financiar seus estudos. E isso realmente vai ser uma grande perda para os universitários”, diz Arone Junior, que acredita que haverá diminuição no dinheiro pago aos estagiários.

    Na opinião de Romeiro, num primeiro momento o impacto da lei será negativo. Mas, ele acredita que é preciso uma mudança cultural sobre o que é o estágio para que os estudantes e as empresas enxerguem as novas regras do jogo como um avanço. “Quando essas transformações forem assimiladas, pode haver uma recuperação no setor de estágios, mas nada disso vai acontecer a curto prazo”, alerta o gerente do IEL.

    Período de adaptação

    O senador Osmar Dias acredita que o presidente Lula deva sancionar a nova lei de estágio em no máximo 30 dias. “O Ministério da Educação e o presidente da república se mostraram bem interessados no projeto. Ele já faz parte inclusive das atividades do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação). As probabilidades do Lula não sancionar a lei são mínimas”, acredita o parlamentar.

    Para os contratos assinados antes da vigência da lei, nada vai mudar. No entanto, as prorrogações dos estágios contratados deverão ser ajustadas às novas normas estipuladas. As empresas que não se adaptarem ficarão impedidas de receber estagiários por dois anos, além de caracterizar vínculo empregatício com estudante, tendo que arcar com todas as responsabilidades da legislação trabalhista e previdenciária. “A questão é que o projeto não prevê um tempo de adaptação para as empresas e instituições de ensino. O que pode dificultar o período de implantação da lei”, alerta o presidente da Abres.

    Perguntado sobre a questão da adaptação, o Dias afirmou que está previsto tal intervalo, seriam 180 dias. Entretanto, o texto aprovado no dia 13 de agosto não traz nenhuma palavra sobre isso. Mas para a responsável pelos programas de estágio da Clave Consultoria, Renata Damasio, esse não será um grande problema. “Grande parte das organizações está atenta às novas regras. Algumas empresas inclusive já oferecem estágios de seis horas, vale-transporte, férias e até 13º salário. Vantagens que antes eram consideradas diferenciais, que a partir da lei passaram a ser obrigação”, afirma ela. Na opinião de Renata, será só uma questão de adequação e organização.

    As universidades também terão que passar por um processo de adaptação. Para assinarem contratos de estágios para seus estudantes, será preciso que a opção esteja descrita no projeto pedagógico. Porém, algumas instituições de ensino já começaram a se adequar antes mesmo da lei entrar em vigor no país. Esse é o caso da UFSC e do IBMEC São Paulo. “Todos os nossos projetos pedagógicos já estão adaptados. Além disso, só assinamos estágios de seis horas e barramos contratos superiores à dois anos”, assegura Maria Ester.

    Escrito por amoralis

    22 22UTC Agosto 22UTC 2008 em 13:38

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    Brasil não é tão violento quanto se pensa, diz ‘Economist’

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    BBC Brasil

    O Brasil já não é mais tão violento como se pensava, afirma um artigo publicado na edição semanal da revista britânica The Economist.

    “Algo inesperado está acontecendo”, diz a revista. “O número de homicídios no país está caindo e parte das melhorias se deve à queda abrupta dos índices registrados em São Paulo, o estado mais populoso do Brasil”.

    Segundo dados divulgados pela Economist, o número de homicídios em São Paulo caiu pela metade nos últimos cinco anos.

    “Tire este Estado do mapa e as coisas ficam um pouco piores. Mas ainda assim, outras partes do país têm apontado melhorias. No Rio de Janeiro, a taxa de homicídio caiu de um pico de 64 para cada cem mil habitantes em meados dos anos 90 para 39 no ano passado”.

    Estereótipos
    Segundo a revista, há três razões por trás dos avanços registrados em São Paulo. A primeira delas é o melhor controle de posse de armas por meio de uma lei federal de 2003.

    Em segundo lugar, mudanças nas políticas de segurança também desempenharam um papel importante, diz a Economist.

    “Houve um declínio no número de mortes envolvendo a polícia de São Paulo. Em meados dos anos 90, os policiais estavam envolvidos em um quinto das mortes violentas.”

    Segundo fontes ouvidas pela revista britânica, a polícia também melhorou sua estratégia de combate ao crime.

    “O estabelecimento de uma força de elite de 700 policiais aumentou o índice de crimes solucionados de 7% para 80%. Os policiais de elite usam tecnologia nas investigações e agem preventivamente”.

    O artigo afirma que o terceiro fator é demográfico, já que na última década a proporção de jovens com idades entre 19 e 24 anos diminuiu de 19,4% para 17,6%.

    Esses dados têm reflexo na queda dos índices de homicídios porque, segundo a revista, nesta faixa etária está concentrado o maior número de pessoas sujeitas a cometer crimes.

    “Quando se pergunta aos estrangeiros o que lhes vêm à cabeça quando pensam no Brasil, a imagem de um garoto armado calçando chinelos de dedo não fica atrás das piruetas dos jogadores de futebol e das dançarinas do carnaval em seus biquínis enfeitados com lantejoulas”.

    Mas diante da redução dos crimes, é provável que um desses estereótipos tenha de se aposentar, afirma a revista.

    Escrito por amoralis

    22 22UTC Agosto 22UTC 2008 em 12:58

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