Jornalismo Universitário

Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa

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Izabela Vasconcelos (Comunique-se), de São Paulo

Notícias exclusivas e assuntos diferenciados postados em blogs podem pautar a grande imprensa. É o que os jornalistas reunidos no painel “Jornalismo na rede”, na Campus Party, acreditam. Um exemplo é o PEbodycount, blog sobre segurança público, mantido pelo jornalista Eduardo Machado e sua equipe, que retrata os índices de violência em Pernambuco. A página já chegou a pautar veículos e programas como Le Monde, Los Angeles Times, Profissão Repórter e Fantástico.

O blog apresenta números de homicídios e detalhes dos crimes que são atualizados diariamente. “A força disso é que quando o governo dizia que tinha tido um dia tranquilo, ou que a violência estava diminuindo, nós tínhamos esses dados para confrontar”, explica Machado.

O jornalista, que também é repórter do Jornal do Commercio de Pernambuco, conta que já rebateu uma informação oficial, de que uma das mortes registradas no estado teria sido causada por um atropelamento, saindo assim dos índices de criminalidade. Na realidade, os dados do blog, obtidos por fontes confiáveis, afirmavam que a pessoa havia sido morta a tiros. Para confrontar a informação oficial, os blogueiros postaram o texto “Atropelado por três tiros”, que gerou grande repercussão.

Para manter o blog, Machado conta com mais três profissionais na equipe e apoio da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPE), que oferece R$ 1,5 mil de orçamento mensal para a manutenção da página.

Caminhos alternativos
Sem encontrar espaço nos grandes veículos ou patrocínio, muitos jornalistas optam por criar páginas independentes, como é o caso de Paulo Fehlauer, do blog garapa.org, coletivo multimídia, e André Deak, que mantém, ao lado de outros profissionais, o Haiti.org.br. No caso do portal sobre o Haiti, que é atualizado com informações gerais sobre o país, os jornalistas pretendem levantar uma verba para viajarem até o Haiti para cobrir o país de perto. Outra ideia é uma exposição com o trabalho dos principais fotógrafos que atuaram no Haiti.

Em todas essas investidas, os jornalistas não sabiam se teriam algum retorno ou não. “Nós sempre fizemos as coisas sem saber qual seria o retorno financeiro disso”, diz Fehlauer.

Nos blogs e sites alternativos, os profissionais acreditam que conseguem fazer o tipo de jornalismo que pretendem e investir nas reportagens multimídias, um grande diferencial. Deak só não entende porque os veículos brasileiros se afastam desse tipo de trabalho. “Os jornais do Brasil não valorizam a reportagem multimídia. É uma cegueira dos chefes de redação”.

Apesar de concordarem que o bom jornalismo custa caro, os profissionais criticam a cobrança de conteúdo na web. “Cobrar pelo conteúdo na internet é a vanguarda do atraso”, contesta Deak.

Exercício do jornalismo
Para exercer a profissão de jornalista, os palestrantes defenderam o fim da obrigatoriedade do diploma. Para eles, a faculdade é importante, mas não deve ser uma exigência para fazer jornalismo.

“Os melhores sites de economia são feitos por economistas. A faculdade é importante, mas é como no caso de publicidade, que é um curso aberto”, defendeu Marcelo Soares, jornalista profissional que escreve para o blog E você com isso?, da MTV.

Deak também é da mesma opinião. ”Os blogs nos mostraram que existe vida inteligente fora das redações”.

Maurício Stycer concorda e compara o trabalho de um blogueiro a de um jornalista. “Existem coisas que valem para qualquer mídia, como a apuração. São os princípios do bom jornalismo. A ideia do blog como ferramenta jornalística tem me fascinado”, declara.

Escrito por amoralis

29 29UTC janeiro 29UTC 2010 em 11:57

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Na barriga da besta

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Um relato cru e frio da rotina de crimes, vingança e crueldade de uma das áreas mais perigosas e pobres da zona sul de São Paulo
Por Yara Morais

“Menina, você não é daqui, não!” a voz vem de um rapaz alto, de olhos verdes e cabelos negros, que bebe cerveja diante do balcão de um boteco nada convidativo. Me encarando, ele diz para o amigo ao seu lado: “Aí, meu velho, não tô falando que os playba agora tão subindo o morro!? Tá fazendo o que aqui, menina?”

Sem água potável em meu barraco, eu estava ali apenas com o objetivo de comprar um refrigerante para matar a sede. Mas respondi a verdade, detalhadamente: contei que era uma estudante de jornalismo, que há quatro dias alugara um barraco durante um mês para morar naquela região porque esse era o único jeito de eu fazer meu trabalho de conclusão de curso cujo tema era “periferia”. Contei que a Zona Sul de São Paulo foi o primeiro lugar que me veio à cabeça, que sem conhecer ninguém peguei a mochila e fui para o Capão Redondo, onde andei horas por Jardim Ibirapuera, Jardim São Bento, Parque Santo Antônio, e que, finalmente, decidi ficar ali, no Morro do Piolho. Que foi Dona Bete, uma moradora local, mãe de dez filhos – nove deles presos -, quem me ajudou a encontrar um barraco para alugar por apenas R$ 65 mensais.

Mas não contei que eu tinha a nítida sensação de que tudo na minha vida mudaria depois dessa experiência. Nem que minha mãe dizia: “Você é mesmo doida”, ou que parti para a Zona Sul levando uma TV de 14 polegadas, um colchonete e uma mochila nas costas com dois pares de tênis, jeans, blusas, um velho skate, R$ 80, um cartão telefônico e um bilhete único, sem saber que lá eu viveria situações que nem o mais experiente dos repórteres policiais jamais presenciou ou sobreviveu para contar.

Também não contei do medo quase palpável que me acometeu no dia em que cheguei ao Morro do Piolho e ouvi, na primeira esquina que virei: “Vacilou é assim memo (sic), os maluco degola! (sic)”. Guardei para mim aquela primeira tarde em meu novo lar, quando entrei no barraco, joguei as coisas ali no chão mesmo, abri o colchonete e caí no sono, para acordar por volta das 11 da noite, tomar coragem, abrir a porta e me deparar, lá de cima, com uma das imagens mais incríveis que eu já vira: até onde a vista alcançava, as luzes de milhares de casas e barracos pareciam formar uma constelação.

O rapaz no bar, então, baixou a guarda, deu um último gole na cerveja e se apresentou. Seu nome era Leo e se definia como “o braço direito do sistema”, o homem de confiança de quem comanda as operações no Morro do Piolho – este controlado pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. O que Leo não havia dito é que “o sistema” era, na verdade, seu irmão mais velho, Gabriel, com quem eu já havia cruzado pelo morro sem saber quem era.

Leo fez questão de me explicar o que todos os moradores já haviam me dito previamente: na favela, ninguém vê nada, ninguém fala nada. Essa era a lei. Na despedida, após quase duas horas de conversa, ele fixou os olhos nos meus e me deu um forte aperto de mão, transmitindo a certeza de suas palavras e o peso das consequências se eu não as aceitasse como regra.

Naquele dia, o céu estava azul como eu nunca havia visto antes. Embaixo do sol radiante, moleques só de bermuda e chinelo corriam, soltavam pipas, rodopiavam os peões, disputavam bolinhas de gude. As crianças brincando e eu reparando cada sorriso, cada gesto, como se fossem únicos. Aquilo, sim, era infância. Aquilo, sim, era brincadeira de verdade – sem videogames, MP3, internet ou celulares. Sentei na calçada, ali no terrão mesmo, e me senti criança outra vez. Acabei-me de tanto correr, rir, e até soltar pipa como um menino. Aquelas pequenas pessoas me mostravam que, se a felicidade mora em algum lugar neste mundo, deve ser naquele exato lugar onde eu me encontrava.

A tarde chegou e subi para tomar banho. Haveria uma festa naquela noite e eu fora convidada. Era aniversário de um dos netos de Dona Bete, e seria na casa daquela senhora humilde que me acolheu como se eu fosse parte da sua família. No banheiro improvisado do barraco, enquanto me lavava com a água fria tirada de um balde com a ajuda de uma caneca, dava para escutar de longe: “Na minha casa todo mundo é bamba/ Todo mundo bebe, todo mundo samba”. Na festa, as pessoas dançavam, conversavam e se divertiam, alheias ao submundo com que convivem lado a lado. A comida era ótima. Sentia a alegria emanar de cada um dos presentes e se espalhar por todos os cantos. Aquela era a melhor festa da minha vida.

Na manhã seguinte, fui comprar pão e, ao olhar para as pessoas, tive a sensação de conhecê-las, de que de alguma forma eu já fazia parte delas e elas de mim. Eu me sentia leve, mas não podia esquecer a minha missão naquele lugar. Nem se quisesse. Foi na noite desse mesmo dia que vi a morte de perto. Bateram na minha porta. Era Leo. Ele falava rápido, as mãos gesticulando no ar, os olhos cheios de ódio e desejo de vingança. “O Gabriel mandou te chamar! Não quer registrar tudo, jornalista? A hora é agora!” Peguei a mochila e os equipamentos – uma câmera e um gravador digitais – e o segui sem saber o que me aguardava.

Os caras do “bang”, o pessoal que controla o tráfico de drogas no Morro do Piolho, iriam cobrar uma dívida de R$ 15 mil e, já que o devedor não tinha como pagar com dinheiro, pagaria com a vida. Menos de dez minutos de caminhada depois, chegamos a uma casa de alvenaria na entrada de uma favela vizinha.

Um grupo de cinco homens comandados por Gabriel arrombou a porta e pegou um homem com menos de 30 anos que estava dormindo. Vendaram-lhe os olhos e, deixando-o somente com uma cueca branca, rasgavam-lhe a carne sem pressa, primeiro com um canivete, depois com uma enorme e afiada faca, como as que são usadas nos açougues. Reluzente a lâmina deslizava pelo corpo com a paciência impiedosa da morte, abrindo-lhe a pele. Os olhos de Gabriel apenas observavam, frios, enquanto as mãos de seus soldados faziam um macabro traçado com a ponta do objeto. Cada um cortava um pouco, em um ritual bizarro de vingança. Os cortes eram pequenos, no entanto, profundos e em grande quantidade. O sangue jorrava.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 40 da revista Rolling Stone, janeiro/2010

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21 21UTC janeiro 21UTC 2010 em 12:57

Atuação dos Estados Unidos no Haiti é uma questão de liderança

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Le Monde
Corine Lesnes
Em Washington

Com seu presidente aparecendo com tanta frequência nas telas, os americanos poderiam acreditar que a catástrofe havia acontecido em seu solo. Nos três dias que se seguiram ao terremoto no Haiti, o presidente Barack Obama fez diversas declarações na Casa Branca, enviou 10 mil soldados, um porta-aviões munido de 19 helicópteros, e desbloqueou US$ 100 milhões. A Marinha foi convocada a fazer milagres. O navio-hospital Comfort, um mastodonte equipado com doze salas de operações, nunca havia sido preparado tão rapidamente. Em menos de 48 horas, levantou âncora para Porto Príncipe, onde deveria chegar na quarta-feira (20).

Barack Obama logo assumiu o controle de tudo – quase que instintivamente, poderiam dizer. Ainda que ele tenha designado como coordenador o novo diretor da Agência Americana para o Desenvolvimento USAID, Rajiv Shah, um jovem médico de origem indiana, foi ele que declarou a situação “prioritária”, a ponto de merecer manter em Washington os secretários da Defesa e das Relações Exteriores, esperados na Austrália para uma cúpula dedicada ao Afeganistão e à luta antiterrorista.

Obama também enviou a Porto Príncipe um de seus colaboradores mais próximos, Dennis McDonough, para coordenar a comunicação. É verdade que os apresentadores dos telejornais da noite também desembarcaram no Haiti (em que avião?, perguntariam alguns).

Reação instantânea bem vista nos Estados Unidos

A administração Obama se antecipou ao chamado? Teria ela se precipitado indevidamente? Certamente essa é a opinião daqueles – franceses, italianos, brasileiros – cujos aviões de socorro se viram desviados para os outros aeroportos da região por americanos que acreditavam estar fazendo a coisa certa, mas que nenhuma autoridade superior havia ordenado.

Na edição de segunda-feira (19) do jornal “USA Today” , os especialistas da Força Aérea dos EUA contaram como haviam procedido ao desembarcarem no aeroporto 24 horas após o terremoto. Foi um caos. A torre de controle estava quebrada. “Fomos falar com os pilotos e dissemos: ei, somos controladores de combate da aeronáutica. Estamos assumindo o controle do aeroporto”, contou o sargento Chris Grove.

Dito e feito. Os americanos sabem que foram criticados por terem evacuado seus compatriotas como prioridade, e por terem privilegiado os voos militares em detrimento dos socorros: em outras palavras, a segurança em vez da ajuda humanitária. Mas tudo entrou nos eixos, eles afirmam. Os voos do Exército americano agora estão programados para a noite.

Quanto aos outros aviões, as prioridades são estabelecidas “pelo governo haitiano”. E a secretária de Estado, Hillary Clinton, durante sua visita assinou um acordo com o presidente René Préval regularizando a tomada de controle do aeroporto. A conversa aconteceu no hangar “tomado” pelo sargento Chris Grove e depois transformado em QG americano.

Para os americanos, o Haiti é tanto uma exigência humanitária quanto uma exigência de segurança nacional. Cada vez que acontece um tumulto relacionado ao Caribe, especialmente com Cuba, eles temem um êxodo que mandaria centenas de milhares de refugiados para a Flórida, situada a somente 1.200 quilômetros.

Para justificar seu comprometimento em favor do Haiti, Barack Obama também acrescentou uma exigência moral em nome da “humanidade comum” compartilhada por todos os povos da Terra. Para a imagem que os americanos fazem de si mesmos, e para aquela que seus vizinhos têm deles, é necessário ajudar o salvamento do Haiti, disse ele. É uma questão de liderança.

Mesmo que as duas situações não tenham nada a ver, o paralelo com o furacão Katrina foi abordado, em sua vantagem – e para a grande satisfação da Casa Branca. A reação instantânea do presidente – meia hora depois de saber do terremoto, ele já publicava um comunicado – foi bem vista nos Estados Unidos, com algumas exceções.

A crítica mais ácida foi a de Rush Limbaugh, apresentador ultradireitista de rádio, que o acusou de adular a comunidade afro-americana, em um momento em que ela se sente abandonada por seu presidente “pós-racial”.

Longa história muitas vezes turbulenta

O Haiti mantém uma longa história – e muitas vezes turbulenta – com os Estados Unidos desde a primeira campanha de julho de 1915, decidida por Woodrow Wilson, precursor das intervenções armadas conduzidas em nome da promoção da democracia (a ocupação durou 19 anos).

Os Estados Unidos “voltaram” em 1994, quando Bill Clinton resolveu restabelecer no poder o padre Jean-Bertrand Aristide, vítima de um golpe de Estado. E depois em 2004, para expulsar o mesmo Aristide, que se tornara um ditador sanguinário. Todas as vezes o exército americano serviu de elemento avançado de uma força multinacional da ONU.

Tomada por uma ambição de fazer o “bem”, a administração Obama desta vez promete um compromisso a longo prazo para acabar com um mal crônico. Em um momento em que duas guerras estão esgotando seus recursos, é difícil acusar os americanos de estarem comandando uma nova “ocupação” qualquer.

Se a ONU tivesse enviado controladores aéreos a Porto Príncipe no dia seguinte ao terremoto, o sargento Chris Grove não estaria tumultuando os céus do Haiti. (Uol Internacional)

Tradução: Lana Lim

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21 21UTC janeiro 21UTC 2010 em 12:17

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Os dez mandamentos do jornalista

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A lista de mandamentos abaixo foi formulada pelo jornalista Jim Lehrer:

“Não faço nada que eu não possa defender
Cubro, escrevo e apresento cada história com o mesmo cuidado que gostaria de ver se a história fosse sobre mim
Considero que há, pelo menos, um outro lado ou versão para cada história
Considero que o leitor/espectador é tão inteligente e bom como pessoa quanto eu sou
Considero o mesmo sobre todas as personagens e fontes de minhas matérias (isso vale até pros políticos corruptos)
Considero que as vidas pessoais são assunto privado, a menos que uma guinada legítima na história demande o contrário
Separo cuidadosamente as opiniões e análises do noticiário e rotulo explicitamente cada um
Não uso fontes anônimas ou aspas sem dono, exceto em ocasiões raras
Ninguém deve ser jamais permitido a atacar outra pessoa anonimamente
Eu não estou no ramo do entretenimento.” (Novo em Folha)

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7 07UTC janeiro 07UTC 2010 em 19:07

As agências de notícias: mais indispensáveis do que nunca

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Philippe Massonnet e Juliette Hollier-Larousse*
Pode o mundo da mídia ficar sem agências de notícias? Essa questão, recorrente desde que a internet começou a se impor como vetor indispensável de informação, às vezes agita as salas de redação, uma vez que a crise econômica abala gravemente o cenário midiático. Às vezes a questão se transforma em fórmula fácil, ou até em afirmação mágica. Especialistas em mídia acreditam que as agências de notícias não estão adaptadas às necessidades de seus clientes, e, portanto, de seus usuários, e também inadaptadas ao mundo da internet, à informação do século 21, ao universo do Facebook e do Twitter. Enfim, caretas.

Nos Estados Unidos, na Europa, na França, alguns jornais atingidos pela crise e atraídos pela repentina inflação de fontes gratuitas de todo tipo estão reconsiderando as assinaturas dos serviços das agências. Não são a qualidade ou a pertinência das informações fornecidas pelas agências que são as culpadas, mas sim seu preço.

Diante dessas questões e críticas, as agências de notícias devem afirmar em alto e bom som que são um ingrediente insubstituível para uma informação completa e de qualidade. E encontrar os meios para fazer isso. Além disso, é a busca por um financiamento mais garantido, respeitando a lei européia, que faz com que a Agence France-Presse (AFP) queira se dotar de um novo estatuto, que proteja sua independência tanto quanto o estatuto atual.

Decana das agências mundiais, a AFP continua sendo uma referência, um farol em um oceano de notícias mais ou menos confiáveis, de rumores, de afirmações tendenciosas, publicadas e republicadas todos os dias em todas as mídias. Para ela, uma declaração, uma afirmação ou uma confidência só se tornam informação depois de serem rigidamente verificadas junto a suas fontes.

Diante das rádios e dos canais de televisão especializados em notícias, dos websites dos jornais, dos blogueiros e de outros twitteiros, a AFP se viu diante de uma exigência cada vez maior de rapidez. Mas o que ela busca não é necessariamente ser a primeira. Não, é primeiramente e acima de tudo oferecer uma informação confiável, certificada, que as outras mídias poderão transmitir, divulgar, analisar, comentar sem perigo. Informação de confiança, mas também pluralista, imparcial, independente, variada, aberta para o mundo.

Nessa época de restrições orçamentárias, de redações que se estreitam, de postos de correspondentes no exterior que desaparecem, da fusão superficial de notas, a AFP mantém e estende sua rede mundial e multicultural feita de jornalistas, de fotógrafos, de cinegrafistas. Ela alimenta continuamente as redações com informações vindas das grandes capitais internacionais, das zonas de conflito – Afeganistão, Iraque, Paquistão, Somália – , mas também de países esquecidos, perigosos ou de difícil acesso, como Mianmar, República do Congo, Colômbia ou Tchetchênia. É sua missão.

Ela aplica essas mesmas regras para relatar o mundo em sua diversidade sobre todas as temáticas que ela cobre: política, economia, sociedade, estilo de vida, meio ambiente, esportes, alta tecnologia, cultura… Ela o faz em seis idiomas, em texto, foto, vídeo, infográficos.

São ainda as agências que hoje permitem às redes de televisão que planejem seus grandes eventos, às rádios que deem suas primeiras informações na hora, aos jornais que forneçam suas análises, aos websites que atraiam audiência, aos blogs que instiguem comentários sobre a atualidade.

Quando a comissão financeira do Senado vota, para surpresa geral, a volta para o imposto de 19,5% no setor de restaurantes, a informação, dada pelas agências, vira manchete de cerca de quarenta jornais noturnos em rádios ou televisões. Quando, finalmente, a emenda é rejeitada, são ainda as agências que permitem que as mesmas redes, de manhã, expliquem que na verdade não passava de um alerta dirigido aos donos de restaurantes.

A partir do Afeganistão, do Paquistão, suas equipes locais fornecem não somente os fatos – atentado em Peshawar, ofensiva no Waziristão, eleição contestada de Hamid Karzai – mas também os esclarecem e os explicam, detalhando as questões, entrevistando analistas, esclarecendo situações específicas, dramas humanos.

Às vezes esquecemos que a agências não são somente fornecedoras de matéria bruta, de notas breves. Elas criam temas completos, revistas. Assim, enquanto o 62º Congresso Mundial dos jornais, que acaba de acontecer na Índia, levantava a questão do futuro da imprensa, um grande jornal indiano publicava um artigo e uma foto da AFP sobre… a reinserção de prisioneiros romenos por meio do teatro.

São poucas as mídias que podem se gabar de possuir uma rede mundial composta por mais de 2 mil jornalistas ou uma redação de 23 pessoas dedicadas à cobertura da política francesa. Sabiam que a AFP faz a cobertura fotográfica de cada partida da Premier League inglesa de futebol, cujos jogadores são estrelas no mundo inteiro?

E o que dizer dos custos de cobertura de longos conflitos, que precisam do rodízio de inúmeros jornalistas em campo, operando em condições difíceis, extenuantes, perigosas? E dos custos da segurança necessária a nossos escritórios de Bagdá ou Cabul? Ou dos custos das equipes com mais de cem pessoas enviadas para grandes eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo?

Essas informações de qualidade, produzidas por profissionais, que obedecem a regras claras e rígidas, têm um valor que as agências de notícias devem fazer respeitar em todas as mídias. Se elas têm consciência das dificuldades de seus clientes, elas não podem liquidar seus conteúdos, nem tolerar sua pirataria.

Cúmulo da má fé e da falsificação, às vezes são os mesmos que atacam as agências e sonham com sua morte que as utilizam de forma abundante, sem terem adquirido o direito para isso!

Nesse mundo em plena mutação digital, as agências entenderam que devem se adaptar e responder melhor a seus clientes: os novos, cada vez mais numerosos, e os antigos, cujas críticas às vezes não souberam ouvir.

Ao longo de sua história, a AFP soube evoluir para responder às necessidades de sua época. Ela continua a fazê-lo desenvolvendo novas temáticas, produzindo mais imagens todos os dias – estáticas ou animadas – , utilizando, após verificação, os conteúdos de certas redes sociais, acelerando seu desenvolvimento multimídia. Todos os dias ela seleciona as informações-chave para os portais da internet e celulares, os enriquece com slideshows, vídeos e links. Ela oferece novas parcerias e novos serviços aos órgãos de imprensa, explora novos mercados.

Se as agências não existissem mais, os internautas certamente ficariam sabendo sobre a morte de Michael Jackson por meio de um website especializado em celebridades. Mas quem teria certificado a informação para lhe dar toda sua credibilidade? Mais do que nunca, é papel das agências de notícias guiar os cidadãos do mundo pelo grande labirinto midiático.

*Philippe Massonnet e Juliette Hollier-Larousse são diretores de informação da AFP.

Tradução: Lana Lim (Uol Internacional)

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7 07UTC janeiro 07UTC 2010 em 19:00

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Como sincronizar cinco relógios (Jornalismo Científico)

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Jornalismo e ciência têm tempos diferentes entre si, o que sempre foi problema para especialistas na área

O AQUECIMENTO global é uma das mais sérias questões da agenda mundial. Um dos capítulos do livro recomendado ao final resume bem as razões; algumas das consequências já observáveis estão no filme indicado.
O jornalismo tem obrigação de cobrir com rigor, isenção, destaque e prioridade o debate em torno do assunto. A Folha a vem cumprindo com louvor, às vésperas da cúpula de Copenhague no início de dezembro.
Esta semana, no entanto, parece ter dado pequena derrapada ao tentar extrair conclusões definitivas rapidamente demais de comunicado conjunto dos países banhados pelo Pacífico (EUA e China entre eles), ao final do encontro da APEC no domingo, no qual declaravam sua intenção de não definir no mês que vem metas fixas e obrigatórias de corte de emissões de gases causadores do efeito estufa.
A obsessão em apontar “fiascos” alheios se manifestou novamente na segunda-feira quando a palavra foi usada na primeira página para definir desde já o resultado de Copenhague. Pode ser que a reunião acabe mesmo em fiasco. Mas é cedo para decretar o resultado.
Tanto que, na quarta, sem o mesmo alarde e nenhum radicalismo (nem chamada de capa), o jornal noticiou que os presidentes Barack Obama e Hu Jintao anunciaram aceitar estipular metas em Copenhague.
A aparente contradição pode muito bem ser apenas resultado do exercício rotineiro de táticas de diplomacia, que podem incluir declarações públicas com conteúdo diverso (às vezes oposto) ao das posições de fato dos governos, a fim de sentir a reação das demais partes e da opinião pública.
Jornalismo e ciência têm tempos diferentes entre si e este sempre foi o principal problema para quem exerce essa especialização da atividade. O jornalismo anseia por conclusões finais rápidas; a ciência requer prazos longos para testar e validar hipóteses.
Esses tempos raramente sincrônicos têm que se ajustar agora também aos da diplomacia, da política e da economia, que tampouco costumam ser simultâneos entre si. Conectar os cinco relógios é tarefa dificílima.
Como se já não o fosse explicar no espaço reduzido do jornal a enorme complexidade e muitas controvérsias em torno do aquecimento global. Por exemplo, o fato de que o aumento gradativo das temperaturas no planeta não deve ser medido pela sua evolução anual, mas sim de pelo menos décadas, e talvez de meio século ou séculos.
A Folha vem usando pouco os recursos da internet, que podem levar leitores a recursos didáticos muito mais adequados à compreensão desses problemas do que a página impressa, onde deveriam constar remissões para sites confiáveis com elementos audiovisuais e de multimídia eficazes.
Se isso não for feito bem e depressa, corre-se o risco de a opinião pública se desinteressar do assunto e deixar de colocar pressão sobre os governantes, como já vem ocorrendo nos EUA. O resultado pode ser trágico.

PARA LER
“O Mito do Progresso”, de Gilberto Dupas, Editora Unesp, 2006 (a partir de R$ 29,23)

PARA VER
“Aventuras no Novo Ártico”, de Adam Ravetch, Sarah Robertson, 2007 (no canal de TV paga Telecine HD, dia 19/12, às 10h40; à venda por R$ 19,90)

Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman – Folha de São Paulo
22 de Novembro 2009

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25 25UTC novembro 25UTC 2009 em 15:15

Caso do Estadão é um dos piores de censura prévia no Brasil, diz SIP

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O caso do jornal O Estado de S. Paulo é considerado pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) um dos piores de censura prévia no Brasil, por sua duração e “inconsistência jurídica das decisões tomadas”. O jornal está há mais de cem dias proibido de publicar qualquer informação referente à Operação Boi Barrica (atualmente chamada de Faktor), que tem como alvo principal Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Gravações telefônicas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pelo Estado haviam revelado conversas de Fernando com o pai sobre nomeação de parentes para o Senado.

As críticas estão presentes em documentos produzidos no último congresso da SIP, que ocorreu entre os dias 6 e 10 de novembro em Buenos Aires. Segundo a entidade, a América Latina atualmente vive sob a “ação coordenada de governos para controlar a imprensa”. O avanço da violência contra jornalistas é destacado – 16 foram assassinados nas Américas este ano, metade deles no México.

O documento que trata especificamente do Brasil ressalta que a decisão de aceitar o recurso do filho de José Sarney, o empresário Fernando Sarney, foi tomada pelo desembargador Dácio Vieira. Próximo à família Sarney e crítico ao jornal, Vieira foi posteriormente afastado do caso por ter sido decidido pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que ele não tinha isenção para continuar como relator.

Mesmo assim, a censura continua valendo, o que a SIP classifica como uma contradição e um “vexame para a democracia brasileira”. A entidade chama a atenção para o fato de que esse não é um acontecimento isolado. “Foram seis os casos em que os juízes de primeira instância proibiram a diários e meios associados de divulgar informações sobre temas específicos”, diz o documento.

Outro tema abordado é a revogação da lei de imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. A SIP não se posiciona no documento quanto ao assunto, mas coloca que a maioria dos 349 projetos de emendas constitucionais que restituiriam a obrigatoriedade inclui propostas de restrição à publicidade, o que afetaria a independência dos meios de comunicação.

Ataques verbais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à liberdade de expressão são abordadas, especialmente suas críticas ao “denuncismo da imprensa” em relação ao presidente do Senado José Sarney. O documento ressalta que, para o presidente, o senador seria uma pessoa séria que tem “suficiente história” para não ser tratado pela imprensa como “uma pessoa comum”.
A SIP também toca em iniciativas como o projeto de lei de Acesso à Informação Pública, que está sendo redigido por uma Comissão Especial no Congresso, e a Conferência Nacional de Comunicação. A entidade chama a atenção para a necessidade de se criar mecanismos que façam com que a lei seja cumprida. Quanto à conferência, a entidade ressalta a possibilidade de que ela traga resoluções que acabem por controlar a imprensa. (Abraji)

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25 25UTC novembro 25UTC 2009 em 15:08

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Exemplo de infografia (New York Times)

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O New York Times fez uma infografia sensacional depois das eleições para prefeito da cidade: eles separam os votos por quarteirão!

E mais: como tinham feito o mesmo trabalho nas eleições de 2005, foi possível comparar os votos recebidos pelo prefeito reeleito, Michael Bloomberg.

Taí uma inspiração para nossas próximas eleições. (Novo em Folha)

Escrito por amoralis

25 25UTC novembro 25UTC 2009 em 15:03

PEC do diploma consta na pauta de votação da CCJ do Senado

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A Proposta de Emenda à Constituição 33/2009, que restabelece a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, foi inserida na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado desta quarta-feira (25/11). De acordo com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que preside a comissão, a expectativa é que o texto seja votado, já que todos os recursos foram esgotados.

Essa é a mesma avaliação do autor da proposta, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Ele informa que participará de uma solenidade marcada para o mesmo horário da reunião da comissão, mas que, caso seja necessário, deixará o evento para pressionar a votação.

“Eu quero que ela seja votada. Quanto mais rápido, melhor”, afirma.

Entretanto, existe a possibilidade de que a discussão de outro projeto ocupe o tempo da reunião e a votação seja adiada. Na Câmara dos Deputados, onde uma proposta semelhante foi aprovada, a votação só ocorreu após um pedido de inversão de pauta. (Comunique-se)

Escrito por amoralis

25 25UTC novembro 25UTC 2009 em 14:58

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Blog-se!

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Esse post é dedicado a todos os estudantes de jornalismo que não entendem o verdadeiro propósito do blog, na visão mercadológica do jornalismo.

A saber, o blog é uma das ferramentas da web que revolucionou os meios de comunicação, permitindo que diversas pessoas tenham voz para o mundo.

Enquanto as revistas, jornais, televisão, rádio, entre outros meios apenas emitiam informações, o receptor ficava ali, escutando e murmurando consigo mesmo as falcatruas e maracutaias realizadas nos meios estatais, limitado a fazer uma ligação ao veículo, pedindo por um impeachment. Com o blog, essa “prisão” da voz do povo se esvaiu. Agora todos podem emitir suas opiniões e fazerem suas críticas, e muito mais.

Atualmente o blog vem sendo usado de diversas maneiras, seja por uma empresa, para apresentar seus produtos ou conversar com seus consumidores, ou por um profissional, ou estudante, que queira fazer seu marketing, apresentando seu profissionalismo e suas competências.

O blog, mais do que uma ferramenta livre da web, é um instrumento de suma importância para comunicar informações valiosas. O que o usuário considera uma informação de valor? Bem, isso cabe a cada um fazer uso da forma mais inteligente e criativa possível do blog.

Para todos meus páreas de profissão e academia, encorajo a começar um blog e investir tempo nele. Investir dinheiro em um negócio cujo retorno é incerto, é difícil, mas investir tempo em algo altamente gratuito, e simples, cuja ferramenta você pode usar como um expositor de sua criatividade e profissionalismo, serei sincero, é um grande investimento.

Já ouvi muitas respostas como “não gosto”, “não tenho tempo” etc, mas o estudante que faz jornalismo por paixão, esse sim conseguirá tempo para postar, nem que seja uma foto interessante ou um artigo de algum renomado escritor, jornalista, entre outros (logicamente com os créditos do próprio autor). Assim, o blog nunca ficará desatualizado. Mas não é bom tornar isso um hábito. Crie seus próprios artigos. Fazer críticas pertinentes e oferecer ao leitor informações que acrescentem, em muitos casos são elogiados por eles.

Por isso, batendo na mesma tecla, seja criativo. Tente sentir o mercado da comunicação. Leia muitos livros, muita notícia; assista a noticiários e não fique somente andando no “caminho das índias”; busque assistir bons filmes que tragam conhecimento. Extraia o máximo de informação e conhecimento de tudo o que você ler, assistir, ver, escutar, tudo isso poderá ser ponto de partida para inserir um bom artigo no blog.

A ferramenta do jornalista é a leitura e a escrita. Mais a escrita. Se este “profissional” se diz o tal, mas tem uma porcaria de texto, sinto muito, “no donut for you” (sem chance). Mas, se os textos são bons, compreensíveis, coerentes, não haverá críticas técnicas, mas críticas relacionadas ao assunto. O que no caso de uma péssima escrita, o leitor vai bater o olho -, assim como eu faço, – e vai procurar ler algo em português.

Estudantes de jornalismo, Fiquem de olho. Essa é a hora de investir.

O blog é o princípio do seu ofício.

Márcio Ikuno

www.mybloggerpress.wordpress.com

Escrito por amoralis

16 16UTC setembro 16UTC 2009 em 17:04

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