Blog-se!

Esse post é dedicado a todos os estudantes de jornalismo que não entendem o verdadeiro propósito do blog, na visão mercadológica do jornalismo.
A saber, o blog é uma das ferramentas da web que revolucionou os meios de comunicação, permitindo que diversas pessoas tenham voz para o mundo.
Enquanto as revistas, jornais, televisão, rádio, entre outros meios apenas emitiam informações, o receptor ficava ali, escutando e murmurando consigo mesmo as falcatruas e maracutaias realizadas nos meios estatais, limitado a fazer uma ligação ao veículo, pedindo por um impeachment. Com o blog, essa “prisão” da voz do povo se esvaiu. Agora todos podem emitir suas opiniões e fazerem suas críticas, e muito mais.
Atualmente o blog vem sendo usado de diversas maneiras, seja por uma empresa, para apresentar seus produtos ou conversar com seus consumidores, ou por um profissional, ou estudante, que queira fazer seu marketing, apresentando seu profissionalismo e suas competências.
O blog, mais do que uma ferramenta livre da web, é um instrumento de suma importância para comunicar informações valiosas. O que o usuário considera uma informação de valor? Bem, isso cabe a cada um fazer uso da forma mais inteligente e criativa possível do blog.
Para todos meus páreas de profissão e academia, encorajo a começar um blog e investir tempo nele. Investir dinheiro em um negócio cujo retorno é incerto, é difícil, mas investir tempo em algo altamente gratuito, e simples, cuja ferramenta você pode usar como um expositor de sua criatividade e profissionalismo, serei sincero, é um grande investimento.
Já ouvi muitas respostas como “não gosto”, “não tenho tempo” etc, mas o estudante que faz jornalismo por paixão, esse sim conseguirá tempo para postar, nem que seja uma foto interessante ou um artigo de algum renomado escritor, jornalista, entre outros (logicamente com os créditos do próprio autor). Assim, o blog nunca ficará desatualizado. Mas não é bom tornar isso um hábito. Crie seus próprios artigos. Fazer críticas pertinentes e oferecer ao leitor informações que acrescentem, em muitos casos são elogiados por eles.
Por isso, batendo na mesma tecla, seja criativo. Tente sentir o mercado da comunicação. Leia muitos livros, muita notícia; assista a noticiários e não fique somente andando no “caminho das índias”; busque assistir bons filmes que tragam conhecimento. Extraia o máximo de informação e conhecimento de tudo o que você ler, assistir, ver, escutar, tudo isso poderá ser ponto de partida para inserir um bom artigo no blog.
A ferramenta do jornalista é a leitura e a escrita. Mais a escrita. Se este “profissional” se diz o tal, mas tem uma porcaria de texto, sinto muito, “no donut for you” (sem chance). Mas, se os textos são bons, compreensíveis, coerentes, não haverá críticas técnicas, mas críticas relacionadas ao assunto. O que no caso de uma péssima escrita, o leitor vai bater o olho -, assim como eu faço, – e vai procurar ler algo em português.
Estudantes de jornalismo, Fiquem de olho. Essa é a hora de investir.
O blog é o princípio do seu ofício.
Márcio Ikuno
www.mybloggerpress.wordpress.com
Trabalhar, só depois… Augusto Chagas, novo presidente da UNE
Ed Ferreira/AE

Chagas: “É dever do governo e das estatais financiar nossos congressos”
Raquel Salgado (Panorama/Veja)
A meta da gestão do novo presidente da União Nacional dos Estudantes, Augusto Chagas, é convencer o Congresso a aprovar um projeto de lei que transferirá milhões dos cofres federais para os da sua entidade
De que trata esse projeto?
Ele prevê que o estado indenizará a UNE por demolir nossa sede na ditadura militar. O valor pode variar de 36 a 72 milhões de reais.
O que será feito com esse dinheiro?
Queremos construir uma nova sede, projetada por Oscar Niemeyer. A obra está orçada em 35 milhões de reais. Teremos um centro cultural e uma torre comercial, que poderá ser alugada.
Então, se conseguir a indenização, a UNE não precisará mais pedir dinheiro ao governo.
Aí, não. São coisas diferentes. É dever do governo e das estatais ajudar os estudantes a financiar suas atividades.
Quais?
Nossos congressos.
Mas eles não são só uma oportunidade para que os esquerdistas arranjem namoradas?
Ah, isso não tem nada a ver.
Não é por isso que você é esquerdista?
Não, é porque só saídas coletivas vão dar uma resposta aos problemas da humanidade. O capitalismo é limitado.
Quando você entrou na faculdade?
Em 2001.
Oito anos não foram suficientes para se formar?
Na universidade, você decide quanto vai estudar em cada ano. Estou fazendo devagar.
E trabalha?
Estou dedicado só aos estudos e à militância. Trabalhar na minha área, a computação, só depois.
O Proselitismo da UNE

Rodrigo Constantino, para a Revista Voto
Desde sua criação na década de 1930, a União Nacional dos Estudantes tem participado de forma ativa do debate político no país, quase sempre abraçando bandeiras ditas “progressistas”. A entidade está tão impregnada de ideologia marxista, que atualmente a UNE mais parece um braço partidário do PSOL, e poderia muito bem mudar o significado de sua sigla para União Nacional dos Esquerdistas. Com a chegada ao poder do PT, a UNE deixa de lado suas duras críticas ao governo, e adota um constrangedor silêncio em relação aos escândalos de corrupção. Ela demonstra, com isso, seguir literalmente a máxima de dois pesos e duas medidas. Para os socialistas, afinal, os fins sempre justificaram quaisquer meios.
Basta lembrar o barulho ensurdecedor que os estudantes da UNE faziam no passado contra o governo, quando o PT ainda era oposição. O caso dos “caras pintadas” pedindo o impeachment do presidente Collor, mobilizados pela UNE, representa um excelente exemplo. Ou a pressão que a UNE exerceu para instalar CPIs durante o governo tucano, além da campanha “Fora FHC” disseminada pela entidade. Agora que o PT é governo, a UNE condena o desejo da oposição de instalar uma CPI para investigar os escândalos da Petrobrás. Quem te viu; quem te vê.
Como os jornais mostraram, a UNE recebeu quase um milhão de reais de órgãos públicos federais para realizar seu 51º Congresso, sendo R$ 100 mil da própria Petrobrás. O cão não morde a mão que o alimenta. E a UNE é como os cachorros raivosos alimentados pelo porco Napoleão no livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Parece um cão treinado para latir quando o governo precisa desviar a atenção de algum novo escândalo. A UNE mostra não seguir princípios e valores imparciais, mas sim interesses atrelados à sua ideologia socialista. Seria o caso de questionar: quais estudantes ela realmente representa?
Nenhuma palavra da UNE contra os infindáveis escândalos envolvendo José Sarney, que o presidente Lula agora tanto defende. Nenhuma palavra contra a nova e estranha amizade entre Collor e Lula. Onde estão aqueles jovens com caras pintadas? Trocaram a tinta pela peroba e viraram agora “caras-de-pau”? Nada da UNE sobre os escândalos envolvendo a Petrobrás, uma das principais patrocinadoras do congresso. Ao contrário: defender a CPI para investigar a corrupção na estatal passou a ser coisa de “neoliberal”. A UNE, pelo visto, não condena a corrupção do governo, se este governo for de esquerda, e de preferência liberar verbas gordas para a entidade.
Como no livro de Orwell, existe apenas um mandamento para os membros da UNE: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Os porcos ligados a Napoleão passaram a negociar com os homens de granjas vizinhas, e aprenderam a andar em duas patas. Tudo faz parte do “jogo democrático”. Até mesmo beijar a mão de um ícone da oligarquia nordestina! Agora já é impossível distinguir porco de homem. É espantosa a capacidade que os principais líderes do movimento estudantil têm para “esquecer” o passado recente. Parece até mesmo alguma patologia cognitiva. Caso contrário, teria que ser falta de caráter mesmo.
A verdade é que muitos jovens percebem desde cedo que há no Brasil um futuro promissor para “estudantes” que trocam o estudo pelos discursos sensacionalistas. Em vez de se dedicar arduamente aos estudos e depois competir no mercado por um emprego produtivo, esses jovens observam que pegar microfones durante as aulas e condenar o “sistema”, gritando bravatas e oferecendo soluções utópicas, costuma trazer recompensas melhores e mais rápidas. Como disse o economista William Easterly em O Espetáculo do Crescimento, “criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso”. A via política acaba rendendo mais que a via econômica num país como o Brasil, onde o governo concentra poder econômico demais.
A UNE virou um trampolim para jovens com ambições políticas. Por que batalhar duro para criar riqueza, quando basta colocar uma camisa vermelha e gritar chavões socialistas para expropriar riqueza alheia através do governo? É análogo ao que se passa no campo com o MST. Em vez de trabalhar pesado sob o sol nas plantações, os “camponeses” aprendem rápido que basta pegar uma foice, colocar um boné vermelho e invadir propriedades alheias, para que o governo libere verbas milionárias para o movimento “social”. Não devemos esperar que os homens produzam riqueza, quando a produção é punida com crescentes impostos e a extorsão é remunerada. Um país desses terá cada vez mais parasitas, e menos hospedeiros. Alguém ainda se espanta com tanta miséria no Brasil?
A lamentável verdade é que a UNE tem contribuído para esta situação, através da doutrinação ideológica dos alunos. Como atrativo para os jovens, a UNE oferece um privilégio: uma carteira que garante desconto em eventos “culturais” como shows de rock e jogos de futebol. Os jovens são vítimas mais fáceis para os oportunistas de plantão. Afinal, costumam ser mais românticos e sonhadores, guiados pelas emoções e o desejo de “consertar o mundo”. Talvez por isso os esquerdistas defendam o direito ao voto de um jovem de 16 anos, enquanto condenam a redução da maioridade penal. Ou seja, o jovem responsável que pode votar acaba se tornando uma criança indefesa e inimputável, vítima da “sociedade”, quando pratica algum crime. Eis a “lógica” esquerdista. Eis a mentalidade predominante na União Nacional dos Esquerdistas, quer dizer, dos Estudantes.
UNE mostra a sua cara…pintada de palhaço!

Texto original retirado do CMI (Centro de Mídia Independente)
O LIXO DAS CRIAS DE AMAZONAS E LUIZ INÁCIO
Rafael Gomes
Entre os dias 15 e 19 de julho foi realizado o 51º Congresso da UNE no campus da Universidade de Brasília (UnB). A entidade, que nos últimos cinco anos recebeu algo próximo a 10 milhões de reais da gerência Luiz Inácio (7 milhões somente nos últimos 14 meses) [fonte: Jornal Estado de S. Paulo de 17 de julho de 2009] também contou com o patrocínio de sete ministérios, Correios, Caixa Econômica Federal e Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), totalizando mais de 900 mil de recursos (dos cofres públicos). Tudo isso para cobrir um orçamento de 2,5 milhões de reais estipulados para o Congresso.
Apesar da declaração da até então presidente da entidade, Lúcia Stumpf, que disse não serem “os recursos que mudam os posicionamentos da UNE” e que “a UNE nunca vendeu sua posição”, os temas centrais do 51º Conune foram a “defesa da Petrobras e do petróleo brasileiro” e a defesa da aplicação da “reforma universitária”. Palavras de ‘enorme impacto’ diante dos R$ 100 mil recebidos da transnacional petrolífera como “doação” ao Congresso.
A respeito da campanha em prol da “reforma universitária” do Banco Mundial, a UNE apenas foi coerente com a sua prática dos últimos anos. Desde que se converteu em agência da gerência Luiz Inácio para assuntos do imperialismo no movimento estudantil, a entidade governista vem servindo de aríete dos interesses imperialistas, minando a resistência estudantil à aplicação das medidas anti-povo nas universidades brasileiras.
Daí resta apenas o lixo
Em 1965, enfrentando as duras condições de clandestinidade e perseguições por parte dos gorilas militares, o movimento estudantil encabeçado pela UNE denunciava a desnacionalização da Universidade brasileira, as medidas dos acordos MEC-USAID ditadas pelo imperialismo ianque e a Lei Suplicy de Lacerda, que colocava na ilegalidade as organizações estudantis. A revolta fermentava em meio às massas. Durante a aula inaugural da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 9 de março daquele ano, o títere militar Marechal Castelo Branco foi recebido com uma estrondosa vaia pelos estudantes e membros do Corpo Diplomático da Universidade. Cinco estudantes foram presos pela Polícia do Exército e o fato repercutiu rapidamente. Esse exemplo de combatividade foi repetido na aula inaugural da Faculdade Nacional de Filosofia, onde todos os estudantes se retiraram ao ser anunciada a palavra do Ministro-Chefe da Casa Civil, Luis Viana Filho. Esses acontecimentos contribuíram para sacudir o movimento estudantil, provocando ações de solidariedade e a mobilização das organizações de base(1).
Passados 44 anos, no dia 16 de julho último, numa mesa pomposa repleta de engravatados que mais poderia ser o retrato de uma seção do enlameado senado, estavam presentes os herdeiros da decomposta estirpe de João Amazonas e Luiz Inácio.
O gerente de turno do velho Estado, que “nunca na história deste país” esteve presente em um Congresso da dita União Nacional (dos Estudantes?) UNE/PCdoB, foi acolhido com a devida bajulação (muito bem paga), para discursar para a multidão disforme em uma das plenárias do 51º Congresso dessa entidade. Afora o costumeiro governismo, a aprovação das medidas do Banco Mundial para a educação, ditadas pela “reforma” universitária, e o desfile encomendado pela Petrobras “em defesa do petróleo”, a UNE retocou o velho posto ocupado há décadas pelo Pecedobê em sua presidência deixando um rastro de destruição, sujeira e desordem nas escolas cedidas para o alojamento dos participantes do evento.
Prática degenerada
No dia 22 de julho, terminada a farra da UNE, restou o rastro de destruição resultante da aplicação de sua linha política oportunista e degenerada.
As escolas públicas emprestadas para servirem como alojamentos dos participantes do Congresso (emprestadas a contragosto, após pedido oficial da Presidência da República) foram entregues tomadas pelo lixo. As diretorias das escolas protestaram indignadas ao encontrar garrafas de bebidas alcoólicas, vestígios de drogas e preservativos. Segundo a Secretaria de Educação de Brasília, uma das escolas teve a horta destruída, pois os participantes do congresso teriam tomado banho e defecado no local.
Terminado o Conune, nenhum dos alojamentos foi limpo ou organizado, e a direção da UNE se apressou para transferir a responsabilidade: “Trata-se de um comportamento isolado de alguns participantes que a entidade lamenta e condena. Porém, não é possível se responsabilizar por atitudes individuais”, declarou Augusto Chagas, presidente recém-eleito da entidade.
No entanto, os relatos das diretoras das escolas demonstram que não foram “atitudes individuais” como afirmou Chagas.
“A gente viu uns jovens tomando banho na horta das crianças e eles ainda fizeram as necessidades em cima das plantações” lamentou a diretora do Centro de Ensino Fundamental 01, do Lago Norte, Claudia Regina Justino Fernandes que prosseguiu:
“Esperávamos 400 alunos e vieram mais de 600. Muitos tomaram banhos nus no pátio da escola e constrangeram os funcionários e vizinhos. Além disso, nunca vi tanta sujeira. E a escola estava pronta para a volta às aulas.” lamenta. [fonte: Correio Brasiliense]
“Existiu uma contradição entre o discurso e a prática a que a instituição se propõe” desabafa a secretária adjunta de Educação, Eunice Santos. [fonte: O Globo, 22/07/2009].
QUEM É AUGUSTO CHAGAS?
O recém-eleito presidente da UNE foi anunciado como ‘um importante dirigente estudantil’, ‘ativo nas mobilizações’, ex-presidente da UEE de São Paulo. Apurando os fatos das últimas lutas estudantis na UNESP, UNICAMP, a greve e ocupação da USP em 2007 e a greve geral ocorrida recentemente na mesma universidade, não encontramos sequer o rastro da passagem da UEE, da UNE ou de Augusto Chagas, a não ser em notas de repúdio contra sua prática oportunista e conciliadora. Mas encontramos o depoimento de um ex-colega de Augusto Chagas na página da internet “O biscoito fino e a massa”, que pode dizer mais que qualquer outra fonte.
“Esse Augusto Chagas, novo presidente da UNE, estudava na mesma faculdade que eu na minha época (UNESP de Bauru-SP). Apesar de eu estar sempre participando das movimentações dos Diretórios e Centros Acadêmicos, eu NUNCA vi a cara desse rapaz”.
É mais do que sabido dentro do Movimento Estudantil brasileiro que as correntes ligadas ao PCdoB e PT jamais, repito, jamais, se envolveram com as recentes lutas travadas contra os ataques à educação superior pública desse país. Para alguns exemplos, cito a Ocupação da Reitoria da USP de 2007, as ocupações de reitorias das federais contra o REUNI e a última greve da USP. Se ausentaram e se ausentam, pois só se preocupam em ocupar os espaços da via institucional (como a UNE, por exemplo). Seguem cegamente as diretrizes estabelecidas por seus partidos, no intuito de sustentar o plano de governabilidade de Lula, mesmo que isso signifique estar em conflito com os reais interesses dos estudantes os quais dizem representar”.
João Ricardo da Silva, 22 de julho de 2009.
A UNE FOI ASSIM
Depoimento de José Sales Pimenta, membro da 2ª diretoria da UNE após a sua reconstrução (período 1979/80/81)
Naquele momento, quando lutávamos pela retomada da UNE, o ambiente era outro, as pessoas se mobilizavam, havia uma vibração da direção do movimento que contagiava as pessoas. A mobilização da juventude era uma coisa sincera, radical e decidida contra qualquer acordo lesivo e contra toda ingerência do imperialismo na Universidade brasileira, por isso a UNE se notabilizou nessas lutas.
Na época da retomada, quem puxava as coisas era o pessoal que lutava contra a ditadura. Teve uma greve na USP (veja só, sempre a USP vanguardeando os movimentos de massas estudantis), e surgiram movimentos de solidariedade em Minas, no Rio, na Bahia e outros estados. Era um movimento essencialmente pela derrubada do gerenciamento militar, um movimento pelo fim dos acordos MEC-USAID e da lei Suplicy, contra as diretrizes do decreto 477. O movimento se levantou com um espírito claramente de revolta, de rebeldia. Esse era o movimento estudantil que tornou a UNE famosa.
Éramos os continuadores da UNE que lutou na clandestinidade nos anos 60, combateu na ilegalidade, combateu nas ruas, os 2 últimos presidentes, todos conhecem: o Honestino Guimarães e a Helenira Rezende, que tombaram na luta armada revolucionária, por um projeto de transformação revolucionária da sociedade.
Isso era a UNE, uma UNE anti-imperialista, que defendia os revolucionários brasileiros, que defendia a Universidade nacional e a soberania nacional da forma mais avançada, lutando ombro a ombro com os trabalhadores do campo e cidade.
As lideranças da UNE eram os mais destacados do combate aos militares nas faculdades.
Comparar essa história com isso de hoje é um absurdo. O oportunismo tomou tal proporção nesses partidos legais que vários deles, que na época da ditadura ainda lutavam por uma transformação da sociedade brasileira, abandonaram completamente e não possuem mais nenhum elo com aquelas organizações do passado. Com o desmantelamento das direções desses partidos, o oportunismo tomou o controle. O PT já surgiu com posições conciliadoras, pelegas, reformistas e com um projeto eleitoreiro, apenas o discurso inicial era radical e até isso foi abandonado, e a degeneração do PCdoB é uma coisa tão absurda… Utilizaram toda essa história da UNE para usar a entidade para se cacifar politicamente, para meter as mãos nas verbas do governo e renegar todo o passado de luta da juventude revolucionária do nosso país.
Hoje eles conseguiram levar a UNE à situação mais baixa, mais servil ao imperialismo de todos os tempos. Essas pessoas não têm o direito de falar no nome das grandes lideranças históricas e revolucionárias da UNE. Nunca vi uma corja tão oportunista, governista, gananciosa, inescrupulosa, que usa a imagem da rebeldia da juventude para conseguir cargos e dinheiro.
NOTAS
1. Dados extraídos de O Poder Jovem, Artur José Poerner, editora Civilização Brasileira
Fonte: A nova democracia
Faculdades mudam para abranger novas mídias e se adaptar ao mercado

JAMES CIMINO (Folha de São Paulo, 14/07/2009)
DA REDAÇÃO
“Agora que não precisa mais de diploma, as pessoas começaram a pensar que jornalismo não é mais profissão, é bico…”, diz o aluno do 4º ano do curso de jornalismo do Mackenzie Diego Estrella, 24.
O fim da exigência do diploma despertou um sentimento de frustração em parte dos alunos. Mas a mudança acontece justamente no momento em que alguns dos principais cursos se reciclam, procurando familiarizar o estudante com as novas mídias e com a realidade do mercado de trabalho.
Pelo menos três cursos de São Paulo reformularam suas grades curriculares: PUC, Mackenzie e Cásper Líbero.
Apesar de as mudanças ocorrerem em um momento-chave para a profissão, coordenadores e professores afirmam que elas nada têm a ver com o fim da exigência do diploma.
A PUC-SP pretende criar uma agência de notícias on-line até o final de 2010. A Cásper Líbero tornará obrigatório, já no primeiro ano, o uso de blogs e até do Twitter. Já o Mackenzie reformulou o currículo todo. Criou disciplinas, desmembrou outras, mudou nomenclaturas e reorganizou a carga horária.
“Não nos preocupamos muito com essa discussão de que a internet vai acabar com os jornais. Preparamos nosso aluno para trabalhar com a base da informação, que é texto, imagem e som, adaptados a todas as plataformas [TV, rádio, impresso e internet]“, diz Marcelo José Abreu Lopes, que coordenou a mudança no Mackenzie.
As faculdades ainda não sabem que impacto o fim da exigência do diploma terá na procura pelo curso.
O coordenador de jornalismo da ECA-USP, José Coelho Sobrinho, lembra que o exercício da publicidade, por exemplo, não exige diploma. Mas mesmo assim o curso está entre os mais concorridos na USP.
Segundo ele, uma eventual mudança no currículo pode acontecer apenas a partir de maio de 2010, mas não por causa do fim da exigência. “Jornalismo não é só técnica.”
O coordenador do curso da PUC-SP, Marcos Crippa, também minimiza a exigência do diploma, embora diga que só saberá os efeitos da decisão do STF no próximo vestibular.
“Se fizéssemos alguma mudança só por causa da queda do diploma, seria admitir que estávamos oferecendo um curso inadequado. O que pretendemos discutir é o que isso implica para a sociedade e como formar um jornalista crítico e transformador.”
A coordenadora do curso de jornalismo da FMU, Marcia Furtado Avanza, conta que alguns alunos perguntaram se poderão fazer pós-graduação, agora que “o diploma não vale mais”. “Acho importante esclarecer aos estudantes que o diploma continua “valendo”, só não é mais exigência para o exercício da profissão.”
Na Cásper, o impacto da exigência ou não do diploma é “indiferente”, diz o coordenador Carlos Costa.
“Nossa escola de jornalismo foi criada em 1947, quando não havia exigência do diploma.”
Marina Coratto, 22, aluna de jornalismo do Mackenzie, concorda. “Acho que vale a pena [fazer a faculdade de jornalismo], porque, ao contrário do que possa parecer após a queda do diploma, o que aprendemos aqui não é descartável.”
Carta aos jornalistas sem-diploma
Carta aos jornalistas sem-diploma
Queridos novos colegas,
Sejam bem-vindos. Vocês podem estar se sentindo um pouco rejeitados, mas nem todos os jornalistas estão aborrecidos com a notícia de que teremos novos colegas de trabalho agora. As reações mais violentas, acreditem, escondem amores obtusos, paixões desmesuradas e, quem sabe, até uma ponta de inveja. Estou particularmente feliz com a chegada de vocês ao nosso mercado profissional. Já era hora de nos encontrarmos com novas pessoas, novas ideias e novas abordagens em nosso dia-a-dia. Tanto barulho, não se iludam, não significa nada relevante. É apenas barulho e passa. A vida de jornalista, acreditem, não tem o glamour dos filmes e nem nós, o charme de um Clark Kent. Aliás, nem super-homens somos e com tanto trabalho em frente – não falta notícia no mundo, vocês verão – já era tempo de recebermos uma ajuda nesta difícil missão de informar nossos públicos sobre o que se passa além do portão de seu jardim.
Esta carta de boas vindas é sincera e espero que seja útil agora e no futuro. Quando chegarem às redações e assessorias de imprensa, certamente alguém tratará de menosprezá-los, porque, dirão, vocês não têm diploma. Isso não os faz menos jornalistas, porque nada relevante pode ser mudado apenas com um pedaço de papel. Vocês podem lhes responder, ou não. A melhor maneira de oferecer uma resposta a eles é praticando algo que muitos de nós não conseguimos: competência, ética, frescor e novas ideias. A profissão de jornalista é muito chata. Engana-se quem pensa serem as redações ambientes de reflexão, de engajamento e de sinceros desejos de mudança. São lugares cheios da poeira simbólica da imobilidade e do conformismo. Será uma boa oportunidade para vocês mostrarem a nós, jornalistas com diploma, que estivemos absolutamente equivocados nesse tempo todo e que há outras e melhores maneiras de exercer a nossa profissão.
Desconfiem sempre de tudo. Desconfiem se alguém lhes disser que a verdade é uma só. A verdade, caros colegas, são muitas. Há a verdade da vítima e a do assassino, há a verdade do político e do eleitor, há a verdade do patrão e do empregado. Vocês não têm que escolher uma delas, apenas dar espaço a todas. Se alguém disser que vai lhes ensinar a exercer a profissão – afinal, vocês são focas em nosso ofício – recusem. Recusem com elegância e digam ao seu interlocutor que é ele que pode aprender com vocês.
Chegará a hora que perguntarão se vocês podem fazer serão. Digam não. Se podem cobrir o final de semana do aniversário de sua filha ou de sua mãe, digam não. Se vocês podem retornar das férias porque o Papa morreu. Digam não. Até hoje, dissemos sim a tudo isso porque somos idiotas. Vocês, não. Vocês pertencem a um mundo real em que o Papa é menos importante que uma garrafa de cerveja gelada em Fortaleza ou que a esplêndida vista panorâmica de Londres que se tem a partir do Greenwich Park aos domingos. Ensinem para nós e para nossos patrões que a cobertura do jogo de futebol do São Paulo é menos importante que o aniversário de dois anos de sua filha, a não ser que você seja são-paulino e sua filha também.
Confesso, a coisa mais importante que me aconteceu durante os quatro anos de faculdade não foram as aulas de jornalismo que tive. Foram as pessoas que eu conheci e o que elas puderam me ensinar, fossem ou não professores. Aproveitei muito as aulas porque prestava atenção aos meus mestres e meus colegas. Eu sou professor de Jornalismo em uma faculdade e vejo, com freqüência, muitos jovens estudantes saírem do curso superior pior do que entraram. Quando chegavam à faculdade, diziam que desejavam ser jornalistas porque a profissão os encantava, porque gostavam de escrever e aspiravam por um mundo melhor. Quando saíam, falam apenas em salário, em fama e em emprego. Quatro anos de faculdade podem transformar as pessoas. Em muitos casos, para pior.
Com ou sem faculdade, algo é muito importante: aprender. Aprendam com suas fontes, aprendam na rua, aprendam com seus vizinhos, aprendam com os grandes mestres – Joel Silveira, Gay Talese, João do Rio, Nelson Rodrigues, Cartier-Bresson e tantos outros. O “Fama e anonimato” tem mais lições que 400 anos de faculdade. Quando vocês tiverem dúvidas, ouvirão duas vozes. Preste atenção àquela que fala mais baixo. Pode ser um mestre falando com vocês.
Há três coisas que não podem ter, nunca: pressa, opinião e preferências. Tirem essas palavras de seu dicionário, elas não importam. Não se sintam ameaçados se alguém publicar a informação antes de você. Sua responsabilidade deve ser publicar melhor que ele. Seus patrões não vão concordar com você, mas tente convencê-los. O mundo está muito apressado, as pessoas estão correndo demais e ninguém sabe exatamente para onde. Sua função é diminuir o ritmo, puxar o freio de mão do planeta e fazer com que prestem atenção àquilo que ninguém vê.
Outra coisa: vocês não têm mais partido político, preferência sexual, time de futebol ou religião preferidos. Na frente da urna, na sua cama, na sua casa ou na igreja, sim. Esses são os únicos lugares em que vocês devem manifestar aquilo que pensam. Para seus leitores, telespectadores ou ouvintes, isso não importa. A única coisa que importa é a honestidade com os fatos. Não tentem empurrar a ninguém suas leituras particulares do mundo. O mundo é muito grande e suas leituras, muito pequenas dentre as bilhões de outras interpretações possíveis.
A partir do momento em que se tornarem jornalistas, vocês assumem um compromisso real com seus leitores, telespectadores ou ouvintes. Vocês não devem ter obrigação com seus patrões, com suas fontes ou com seus colegas, mas um contrato apenas com seus públicos.
Esqueçam essa besteira de diploma. Sentem-se aqui, ao nosso lado, e nos ajudem a recuperar aquilo que há tempos perdemos: o essencial.
Cannes, 26 de junho de 2009.
Rodrigo
* Rodrigo Manzano é Diretor Editorial da IMPRENSA e professor de Jornalismo na graduação e pós-graduação do UniFIAMFAAM, em São Paulo (Publicado no Portal Imprensa)
“Acabaram com o diploma… Mas e daí? ”
A decisão anunciada pelo STF, no último dia 17, pegou de surpresa a categoria de jornalistas diplomados, causando, a princípio, uma apatia geral.
Vi jornalistas antigos e experientes indagando: “E agora, anularam minha vida!”. Vi jovens universitários e formandos se perguntando: “Por que passei todos esses anos estudando para obter um diploma e agora ele não serve para nada?”.
O fim da exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista fez gerações de profissionais irem dormir e acordarem no dia seguinte sem respostas enquanto seguiam para mais um dia de trabalho.
Eu tenho 11 anos de profissão e imagine se a partir de agora me perguntarem “o que você faz?”. Respondo: “Sou jornalista”. E a segunda pergunta vem automática: “com diploma ou sem diploma??”.
E que venham as piadas… Teoricamente, qualquer um agora é jornalista, segundo entendimento do STF, até que provem o contrário…
Piada mesmo, quem não achou foram aqueles pais que dão um duro danado para pagar a faculdade particular de seus filhos, aqueles jovens que precisam trabalhar para terminarem um curso superior que agora não vale nada, e aqueles já não tão jovens, que achavam que ter um diploma em pleno século XXI lhes daria melhores oportunidades no mercado de trabalho.
Então depois de muito pensar… Cheguei à seguinte conclusão: Acabaram com o diploma… Mas e daí?
Então, disse aos meus experientes colegas, que depois de tantos anos de profissão, com tantos conhecimentos teóricos, práticos e técnicos, curso de especialização, cursos de aperfeiçoamento, não tem porque achar que anularam minha vida. Pelo contrário, o mercado de trabalho que já estava difícil vai ficar ainda pior com tantos novos jornalistas “sem diploma”. Mas não para nós, que conquistamos, com mérito, nosso espaço.
O argumento de nossos ministros é que todos têm direito ao exercício pleno das liberdades de expressão e informação.
Acontece que nós, da categoria dos jornalistas “com diploma”, não passamos quatro anos e meio na faculdade apenas divagando sobre assuntos e expressando nossos ideais. Para isso, tem outras faculdades mais afins. Creio que exercer o jornalismo vai bem além de exercer a liberdade de expressão.
A minha faculdade e meus estágios, pelos quais os “novos jornalistas” infelizmente não terão a oportunidade de passar, me ensinaram coisas fundamentais, como ética profissional, deontologia jornalística (série de obrigações e deveres que regem a profissão), diferença de linguagem de cada veículo de comunicação, imparcialidade, ouvir os dois lados dos fatos, além de conhecimentos técnicos e em outras áreas, como Economia e Direito.
Agora, não só ministros do STF, Presidente da República, como biólogos, matemáticos, terapeutas, psicólogos, enfermeiros, copeiros e diaristas, podem passar a escrever matérias para jornais, revistas, websites, programas de TV e de rádio.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro, o que embora não seja desmerecedor, foi muito infeliz devido à tamanha falta de afinidade entre as duas profissões. Temos bons chefes de cozinha no Brasil, assim como temos bons profissionais em todas as áreas acima citadas.
Mas a conduta profissional do cozinheiro não está associada à boa redação, imparcialidade, veracidade dos fatos, ética, defesa dos direitos do cidadão e dos princípios constitucionais, já a do jornalista, sim. E essa conduta faz parte dos códigos e leis que regem a profissão, aprendidos nas salas de aula das faculdades.
Portanto, cada um no seu quadrado.
Nádia Faggiani – Jornalista e Especialista em Marketing pela FGV
O fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo

* Tomás Barreiros
O destino de dezenas de milhares de brasileiros portadores de diploma superior de Jornalismo foi afetado hoje por um julgamento levado a cabo por magistrados que demonstraram não saber o que estavam julgando.
Julgava-se a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Mas todas as falas dos magistrados indicavam que eles estavam analisando outra coisa. Eles falavam do direito à livre expressão do pensamento. Outra coisa, completamente diferente.
O pior de tudo é que eles pareciam nem ter se dado conta dessa diferença. Tal cegueira seria mesmo fruto de uma enorme ignorância a respeito do que julgavam ou haveria outra coisa nos bastidores? Talvez não seja de duvidar essa hipótese, dado, por um lado, o enorme poder político e econômico dos interessados no fim do diploma e, de outro, a tradição de pouca confiabilidade de nosso sistema judiciário.
Será que os juízes do STF acreditam mesmo que os proprietários de veículos de comunicação que defendiam o fim do diploma estavam interessados em defender a liberdade de expressão, como raposas que defendem a abertura das portas do galinheiro para o bem da liberdade das galinhas?
A exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista tem tanto a ver com o direito à livre expressão do pensamento quanto a exigência de Carteira Nacional de habilitação com o direito constitucional de ir e vir.
Pela lógica dos juízes do Supremo, qualquer cidadão poderia dirigir – caso contrário, estaria tolhido na sua liberdade de ir e vir. Pela mesma lógica, os cidadãos poderão prescindir do trabalho dos advogados, em qualquer circunstância, em nome do direito constitucional à ampla defesa.
Como se vê, parecem absurdos – assim como é absurdo relacionar a exigência do diploma com a limitação à livre expressão do pensamento.
Os distintos senhores magistrados do STF têm uma ideia completamente romântica e ultrapassada do jornalismo, como se estivessem parados no século 19 ou início do século 20. Acham que ser jornalista e trabalhar num veículo de comunicação significa expressar livremente o pensamento. Ou seja, eles não têm qualquer noção do que é o trabalho do jornalista. Acham que o jornalista tem como função manifestar seu pensamento – o que todos nós, jornalistas, sabemos que não pode ser feito pelo jornalista, a não ser em casos excepcionais ou muito específicos, como na redação de artigos e crônicas, gêneros, aliás, abertos a qualquer pessoa, com ou sem diploma.
O fim do diploma tem vários subsignificados muito tristes. Como a demonstração do total despreparo dos juízes do STF para julgar uma matéria sem conhecimento mínimo do que estão tratando. A incapacidade da classe dos jornalistas de se articular com força contra os capitalistas da mídia. A facilidade imensa que têm o poder do capital contra a fraqueza dos trabalhadores nas instâncias de poder.
Esperemos agora as consequências do fato. A desvalorização da profissão. O achatamento dos salários. A ideologização cada vez maior das redações. O povoamento das redações com estagiários de vários cursos e com apaniguados do dono do negócio. Funcionários cada vez mais submissos aos condicionamentos do patrão. Enfim, tudo com que sempre sonharam muitos dos donos da mídia.
E os senhores magistrados dormirão tranquilamente, embalados por sua ignorância – que lhes garante estar convencidos de que não fizeram nada de errado.
* Jornalista profissional diplomado e professor universitário
“A necessidade do diploma era um interesse corporativista”, diz Juca Kfouri
Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA
O jornalista esportivo Juca Kfouri declarou ao Portal IMPRENSA que não é a favor da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) foi acertada.
O principal argumento de Kfouri é o fato dos “grandes nomes do jornalismo não terem o diploma”. “Essa é a minha opinião: curta e grossa”, completou. No entanto, ele salienta que é a favor da formação em jornalismo para agregar qualidade ao que é produzido.
Para ele, a lei que determinava formação específica para atuar como jornalista “foi herdada da ditadura militar”. Sublinhou também que “a necessidade do diploma era um interesse corporativista que não fazia mais sentido”.
Para serem competitivas, empresas devem seguir contratando formados
“Para serem competitivas, empresas devem seguir contratando formados”, diz Maria Isabel da Silva
Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA
A validade do diploma no momento da contratação de um profissional para um veículo de comunicação é uma das maiores questões que rondam as rodas de discussão de jornalistas, após o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, decidida pelo Superior Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (17).
Maria Isabel da Silva, jornalista, assessora de Gabinete da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e editora do jornal da AME, comenta a decisão do Tribunal e seus impactos.
Portal IMPRENSA – Na sua opinião, a decisão do STF é correta?
Maria Isabel – Não creio ser correta, pois não houve essa flexibilidade com outras profissões, apenas com o Jornalismo. E o presidente do Supremo foi infeliz ao comparar Culinária e Corte e Costura com Jornalismo, pois, sem desmerecer essas profissões, elas nada tem a ver com o Jornalismo, que é eminentemente intelectual e cuja essência é relatar os fatos e formar opiniões.
IMPRENSA – Quais as principais conseqüências, no seu ponto de vista, para a academia e para o mercado?
Maria Isabel – Haverá uma ampliação no mercado educacional, na implementação de cursos técnicos e breves, que nem de longe oferecerão a mesma qualidade que oferecem os bons cursos universitários, de longa duração, que não serão extintos e continuarão garantindo a qualidade na formação de um bom profissional de mídia. O mercado verá surgir meios de comunicação de qualidade duvidosa e o resultado será a valorização do profissional bem formado, aquele com graduação e pós-graduação em jornalismo e Comunicação. Será esperto aquele profissional que prime pela boa formação, assegurando-se em conhecimentos técnicos e teóricos.
IMPRENSA – Você acredita que as empresas continuarão a priorizar os formados?
Maria Isabel – Aquelas empresas sérias, que desejam preservar a qualidade de seus serviços continuarão a priorizar os formados, sem dúvida. Mesmo as que visem somente o lucro, se quiserem se manter no competitivo mercado da informação deverão manter quadro de colaboradores com boa formação e isso só um diploma universitário, no mínimo, pode oferecer.